Pedro Serápio/ GP
Toscano comemora o primeiro gol do Paraná.

Em momento algum dos dois duros anos de Série B o Paraná jogou tanto quanto nesta terça-feira, contra o Guarani. Não á toa a vitória por 2 a 0 levou o Tricolor à melhor posição deste período de purgação. É o 10º colocado, posto que tornou-se questão de honra ocupar em um cenário em que o acesso jamais esteve próximo.

Roberto Cavalo finalmente acertou na formação do time. Na falta de um goleador, deixou que Davi, Rafinha e Toscano resolvessem do meio pra frente. Solução inteligente. Se os centroavantes não servem, é burrice insistir com eles. Claro, Wellington Silva é útil pelo jogo aéreo. Se a coisa tivesse apertado, teria entrado. Mas não tem pedigree para ser titular.

Murilo e Fabinho também foram bem explorados. Atacaram com eficiência pelas alas. São boas opções ofensivas e nesse esquema podem se preocupar menos em marcar.

Graças a um eficiente quinteto de marcadores. Luís Henrique, Leandro e Montoya lá atrás; Luiz Camargo logo à frente e João Paulo saindo um pouco mais.

Engraçado que basicamente é o mesmo esquema que o Sérgio Soares usou com sucesso por algumas partidas. Quando ameaçou fraquejar – ou quando o discurso ainda limitado do SS esgotou-se -, o time passou a patinar, o esquema foi desfeito e o Paraná não se encontrou mais.

Uma pena, pois mais uma vez o Paraná vai terminar o ano deixando a impressão de que poderia ter ido mais longe se o time tivesse sido montado antes. Mas o problema é que ano que vem vai ser a mesma coisa. Esse time será desfeito, chegará outro, mais barato e mais ordinário para o Paranaense; os garotos terão sua chance; aí vem um pacote de primeiro turno; outro de segundo turno e a coisa segue no mesmo ritmo nauseante das últimas temporadas do Tricolor.

Mas, enfim, hoje é dia de curtir esse 2 a 0 no Guarani. Infelizmente, momentos como este têm sido raros na Vila.

A era dos empresários

Não ouvi as entrevistas pós-jogo, mas o astuto Angelo Binder me fala de um apologia feita por Davi à LA Sports, dizendo que é à empresa que ele serve.

Preocupante, embora um belo sinal dos tempos atuais. Empresários hoje são muito mais importantes para os jogadores que os clubes. São os empresários que arrumam emprego para os caras. Conseguem carro, balada, mulher. Os clubes viraram meros showrooms para que eles mostrem talento que pelo menos renda um dvd bem editado de cinco minutos.

Como já expus outras vezes, discordo dessa situação. Penso que os empresários surgiram no vácuo entre a perda de poder + desorganização dos clubes e omissão dos jogadores ao assumir o próprio destino, vazios criados pela concepção da Lei Pelé. Bastava haver clubes com gestores profissionais ou jogadores mais responsáveis consigo mesmo e os empresários não teriam se criado.

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