Quem torce o nariz para o encanto que o futebol exerce sobre as pessoas poderia olhar com atenção para os dois últimos jogos do Atlético, exemplos cristalinos do encanto despertado pelo esporte.

Contra o Sport, uma atuação sofrível, salva por um minuto de lucidez, o primeiro. Bastou para fazer o gol e garantir o resultado.

Hoje, diante do Palmeiras, o Atlético fez possivelmente seu melhor jogo no campeonato. Do mesmo nível, no ano, talvez a partida contra o Corinthians pela Copa do Brasil e a vitória sobre o Inter, no primeiro turno. Perdeu. Mas provavelmente deu mais esperança ao torcedor de seguir na Série A hoje do que na semana passada.

Lopes armou um fortíssimo sistema de marcação, seguido rigidamente pelos jogadores no primeiro tempo. Manoel cuidava de Obina; Fransérgio pegava Love; Chico estava por ali para qualquer eventualidade.

Mais à frente, uma linha quatro jogadores. Wesley pela esquerda trancando os avanços de Figueroa. Nei na direita segurando Marcão. Pelo meio, Rafael Miranda circulando pelos dois lados, enquanto Valencia engolia Diego Souza em uma fortíssima marcação individual. Paulo Baier e Marcinho, mais avançados, também ajudavam a fechar os espaços. Apenas Patrick estava desobrigado de marcar.

A marcação foi tão eficiente que no primeiro tempo o Palmeiras só chegava de três maneiras: em escanteios, nos avanços de Jumar e com chutões da zaga para o ataque. E foi na combinação de um chutão com uma fatalidade que saiu o primeiro gol. Bago de Danilo, escorregão de Chico e gol de Figueroa.

Confesso que, ali, temi por uma goleada. O caminho natural seria o Atlético, desordenado, atacar de qualquer jeito, abrir espaço e tomar gols no contra-ataque.

Mas Lopes tinha um plano B para o jogo, a planificação de como o time deveria buscar o empate. Nei e Wesley abandonaram a linha de quatro marcadores e viraram alas. Paulo Baier e Marcinho transformaram-se em armadores que encostavam constantemente em Patrick.

O que mais se assemelhava a um contra-ataque no time do Palmeiras morria na ausência de Cleiton Xavier ou na sempre limpa e eficiente perseguição de Valencia a Diego Souza.

O gol de empate, justo, não demorou a sair. Como falta poder de de fogo no ataque, a igualdade veio com um cabeceio de Chico e uma ajuda providencial de Danilo, que, tanto tempo depois, parecia devolver um dos muitos pontos que o Atlético perdeu às suas custas ao longo de quatro anos.

Era hora de recompor a retranca do primeiro tempo. A eficiência, porém, não foi tão duradoura. Chico, mais uma vez, vacilou no lance. Parou a corrida no meio do caminho e viu Danilo mandar a bola para a rede, garantindo a injusta vitória palmeirense.

Novamente o Atlético foi à frente. Com Netinho, que entrou muito bem, e Geílson, que mesmo sendo limitado, fez mais que Patrick. E o que se viu foi um bombardeio ao gol palmeirense, magistralmente defendido por Marcos e, na falta dele, guardado por Danilo. No fim, uma derrota injusta. Retrataria muito melhor o que foi o jogo um 2 a 1 para o Atlético.

Por que não ganhou? Não ganhou porque Marcos esteve iluminado e, principalmente, porque o Atlético é um time que não sabe fazer gol. Hoje, até Paulo Baier viu o gol encolher no lance em que Danilo esticou a perna para evitar o 2 a 2.

Essa dificuldade, por sinal, levanta uma questão. Por mais que Rafael Moura seja ou tenha sido um problema para o elenco, a sua ausência passa a ser um problema para o Atlético. Ano passado, seus gols foram fundamentais para evitar o rebaixamento. Neste, decisivos para o Estadual.

É hora de a diretoria, o elenco e Rafael tomarem uma decisão a favor do clube. Que se repatrie o He-Man para que ele novamente ajude o Atlético a não cair, pois depender das condições físicas de Alex Mineiro, de esperar o amadurecimento do Wallyson ou do fator-surpresa Geílson não dá. E depois, em dezembro, que o Atlético siga sua história na Série A e Rafael vá retomar sua carreira bem longe da Baixada.

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Do Paraná, só vi os gols. Não foi pênalti no lance que resultou o primeiro gol do Figueirense. Mas, sinceramente, não sei se esse erro é o bastante para justificar um 4 a 0 em casa.

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