O choro de Domingos Moro – torcedor alviverde – após defender o Atlético no Superior Tribunal de Justiça Desportivo (STJD) merece não passar batido. Nem tanto pela reação emotiva do advogado, mas sim pela forma como abraçou a causa – sem distinção afetiva.

Só ele tinha a perder ao vestir a beca e defender o rival de arquibancada. Ao ser profissional, será para sempre incompreendido no Alto da Glória. Muitos vão detestá-lo ainda mais, pois pregam não haver relação entre torcer e trabalhar. Bobagem! Em alguns casos, o pior da hipocrisia.

Moro não deixou de ser coxa-branca. Nem será menos alviverde por causa da atuação pró-Atlético. Todo bacharel em Direito, ao terminar o curso, presta o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e depois faz um juramento em nome da Justiça. Sem mais, salvo se alguém me dizer que ele feriu o código de ética da OAB ao aceitar o emprego ou ao explanar suas convicções no julgamento.

Ah, claro… Tem a ética do torcedor. Uma ética torta e que cada vez mais afasta as pessoas dos estádios.

Mas então imagine a seguinte situação, algo tão hipotético quanto grotesco: o craque do time X passa mal, vai ao hospital e é atendido por um médico e dirigente do time Y. O doutor, doente mesmo pelo Y, em nome dessa paixão, nega-se a socorrer o doente.

Guardadas as devidas proporções, é esse o discurso dos que o condenam – uma linha tênue para a xenofobia.

Moro poderia se declarar impedido emocionalmente para defender o Atlético. Faria um gol de placa para o fácil discurso populista, mas seria uma rasteira para quem defende a civilidade entre os fãs de futebol.

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