Dizem que ambição é algo saudável e inerente à condição humana. Dizem ainda que há uma linha tênue entre ela e a ganância. Na partilha das coisas, a ética surge como princípio e fim desses dois traços tão parecidos.

Pelo discurso padrão do mundo corporativo e gerentes de RH, as pessoas ambiciosas são as que conquistam espaço, fomentam novas habilidades, buscam resultados rápidos, blá-blá-blá… Os gananciosos, então, entrariam na lista dos que “extrapolam o aceitável” nas relações humanas. Assim, simplista, subjetivo mesmo.

O limite é a ética. O meu limite, por exemplo, não aceita determinadas coisas, tolera outras, repudia uma centena. O seu, ao contrário, pode achar normal e avançar um pouco. Um terceiro, diferente de nós dois, pode nos achar tímidos e caminhar mais à frente…

No esporte, motivo deste texto, o tema é essencial – aliás, cresce na progressão inversa dos parâmetros éticos mais consagrados. Entregar jogo, ajustar resultados, aliciar atletas, ofender rivais são situações imorais que já têm adeptos no vale-tudo para vencer.

Há quem considere aceitável, por exemplo, o uso de dinheiro público para empreendimentos privados. Por quê? “Os frutos da Copa!” Também existem os que são contra, mas acham certo que o seu time seja beneficiado de alguma forma (?!).

Passar uma rasteira em um rival é tudo de bom entre muitos no futebol. É o tal do limite virando pó. “Azar de quem perdeu.” Não tolerar o contraditório – e aí vai da reportagem no jornal até a briga nos terminais — parece uma cláusula pétrea dos torcedores mais idiotas.

Talvez esteja perdendo tempo com esse papo. No entanto, a minha preocupação é ver esse tipo de raciocínio torto penetrar ainda mais nas regras do mercado de trabalho e no convívio social. Afinal, quem não conhece alguém disposto a tudo para se dar bem? Logo, logo, ele será o modelo – pois o freio está frouxo e o esporte confirma a regra.

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