Damien Meyer/ AFP
Na frente da sede do Milan, os torcedores fizeram sua parte para a permanência de Kaká.

A imagem mais marcante do esporte mundial nesta segunda-feira foi a mobilização da torcida do Milan pela permanência de Kaká. Primeiro na sede do clube, depois na calçada do prédio do brasileiro, milhares de milanistas imploraram a Silvio Berlusconi que não vendesse o craque. E, se isso for inevitável, que Kaká recuse os milhões árabes do Manchester City.

A estratégia, ao que parece, deu certo. Berlusconi já dá entrevistas na Itália anunciando que Kaká recusou a oferta do City e também o aumento salarial proposto pelo Milan. Ficará na Itália por aquilo que já ganha (o que, diga-se, é muito).

Não lembro de ter visto algo semelhante no futebol brasileiro, o que me deixou um pouco chateado. Será que alguns rumos do nosso futebol não teriam sido diferentes se, por exemplo, coxas, atleticanos e paranistas empunhassem suas bandeiras e soltassem o grito em protestos pacíficos pelos seus ídolos?

Keirrison e a diretoria do Coritiba não teriam sentado para conversar uma extensão no contrato do K9? Ferreira e Atlético não teriam desistido da aventura árabe que só fez tirar o futebol do colombiano e do Furacão dos trilhos? O Paraná não faria um sacrifício para manter Giuliano neste ano? E você, torcedor, acha que valeria a pena sair de casa para pedir a permanência destes ou de outros jogadores?

Estes três casos, infelizmente, não têm mais volta. Mas fica o exemplo dos milanistas para que os nossos torcedores vejam o poder que têm nas mãos na hora que o próximo ídolo e os nossos clubes balançarem por alguma proposta bem mais espartana.

Arremate: Sem entrar no mérito da forma de atuação da Igreja Renascer, aposto que a tragédia no templo em que Kaká se casou deve ter sido encarado pelo religioso jogador como um sinal de que ele deve ficar no Milan.

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