Depois de ver o texto original se perder na cyberpqp, ter um dia de trabalho ferrado e levar bronca justa dos internautas, volto para cumprir a promessa de apresentar algumas ideias para os nossos times saírem do atoleiro. Ideias minhas e de vocês também.

Solução imediata

A primeira providência é tirar os times do buraco imediato. Começo pela dupla Atletiba.

Como todos vocês diagnosticaram, os elencos são fracos. Com o que têm à mão, os dois ou caem ou passam sufoco.

Para contratar, óbvio, é preciso dinheiro. Se não tiver dinheiro, tem que arranjá-lo.

O caminho mais fácil é fazer caixa com venda de jogadores. Felipe é a bola da vez no Coritiba, que ainda pode lucrar via mecanismo de formação com eventuais transferências internacionais de Rafinha, Keirrison e Henrique.

No Atlético, Chico parece ter mercado no exterior. Dinei, que já está lá fora, é outra opção. Segundo a minha amiga jornalista Carol Moreno, o Celta tem opção de compra de 70% dos seus direitos federativos por 2,7 milhões de euros.

Em último caso, vale se endividar. O suficiente para consertar o elenco, mas sem arrombar o caixa do clube. Para pagar, negociação no fim do ano. É assim que o mundo da bola gira.

E o Paranito?

Separo o Tricolor porque sua situação, aparentemente, é mais confortável. O elenco foi montado e demonstrou potencial para subir. Precisa confirmar em campo, mas a perspectiva é boa.

A longo prazo…

Evitar o rebaixamento (Coxa e Atlético) e subir de divisão (Paraná) é plano emergencial. Paralelamente a isso, precisa se estruturar para não passar sufoco ano que vem e crescer gradativamente.

Nesse ponto, concordo com o Guilherme Straube. Não há outro caminho que não seja profissionalizar a administração dos clubes.

Penso que deveria haver diretores remunerados para o futebol profissional, marketing e categorias de base. Não uma remuneração pura e simples. Ao invés de pagar 15 mil, dá 5 mil e estipula premiação por metas.

Para o “presidente do futebol”, conta ponto vencer o estadual, avançar a partir de determinada fase da Copa do Brasil, ficar a partir de tal posição no Brasileiro, percentual de acerto nas contratações, gerar um determinado valor em transferências com o menor número possível de perda de jogadores (mais vale vender um jogador a 5 milhões do que cinco jogadores a 2 milhões, para não implodir o elenco)… Enfim, tudo conta ponto e interfere na remuneração final do diretor.

Para o responsável pela base, conta unificação de processos na formação de jogadores, quantidade de atletas promovidos, convocações para seleções de base, redução da influência de empresários no destino dos meninos (quanto maior o percentual de direitos federativos nas mãos do clube, maior a pontuação do diretor).

No marketing, conta captação de recursos para o time e o estádio, aumento do quadro associativo, valorização e divulgação da marca (há pesquisas para medir isso), reversão do direito de imagem pago aos jogadores em ganho para o clube, criação de novas fontes de receita …

Tudo serviria como um gatilho para o diretor ganhar mais. Duvido que assim alguém não ralaria para fazer o clube ganhar dentro e fora de campo.

Antes, um bico nos empresários

No Paraná, há outra necessidade específica. Voltar a ser dono do próprio destino. Seja nas categorias de base, seja no profissional. Um processo lento, duro, mas necessário para o clube conseguir evoluir.

Comissão do futebol no Coxa

Agora, vou cornetar um pouco as providências já tomadas pelos nossos clubes. No Coritiba, o Conselhão vai criar uma comissão para fiscalizar a gestão do futebol. Medida acertada.

Como escrevi aqui, o comando do Coritiba não manja nada de bola, precisa de ajuda. Só me preocupa o caráter historicamente corneteiro do conselho coxa-branca. Todos precisam ter equilíbrio para dar sugestões, ouvir críticas e ter a consciência de que às vezes o que para um é uma ideia genial pode simplesmente não ser aplicável na prática.

Água no cachimbo

Não evoluiu a história de o Petraglia voltar a cuidar dos assuntos de Copa no Atlético. Marcos Malucelli deu coletiva no CT para dizer que o Pet não está de volta porque queria cuidar de oito áreas: marketing, relações internacionais, negociações nacionais, departamento financeiro, representação política na CBF, construção da Arena, representação junto ao comitê local para a Copa de 2014 e coordenação do projeto de crescimento do Atlético. Ou seja, sobraria para Malucelli assinar os cheques preenchidos por Petraglia, ir aos arbitrais da FPF e, sei lá, servir cafezinho. Um absurdo.

Malucelli oferece: negociações com a televisão, Clube dos 13, CBF, Copa e a venda de jogadores para o exterior. Um belo pacote, que MCP deveria aceitar. Seria uma bela demonstração de que ele gosta mais do Atlético do que do poder puro e simples.

Soy contra

Me causa arrepios essa história de a Fúria querer entrar na política do Paraná Clube. É a turma que invadiu treino na Vila neste ano, foi ao Pinheirão agredir jogador ano retrasado. Quem acha que os problemas se resolvem na base da pancada e da intimidação não tem equilíbrio para cuidar da própria vida, o que dizer de um clube de futebol.

E outra. Basta o Aurival dobrar a cota de ingressos de cortesia para essa turma voltar a apoiar bovinamente a diretoria.

Aos blogueiros

Drope, releia o que escrevi. Não disse que as coisas começam a se ajeitar em campo no Atlético. Disse que elas começam a se ajeitar em campo no Paraná.

GJ, não fui maldoso no comentário sobre o Coxa, mas realmente esqueci do Márcio Gabriel, outra contratação que deu certo.

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