João Saldanha faria 100 anos neste 3 de julho. Jornalista dos mais ácidos, comunista ferrenho e por acaso o técnico da seleção mais fantástica já produzida pelo futebol, esse gaúcho de Alegrete deveria ser mais celebrado no país.

Em 1969, auge do Regime Militar, foi anunciado como treinador da seleção pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD), atual CBF, órgão alinhada aos milicos e à repressão. Surgia então as chamadas ‘Feras de Saldanha’, amada pelo público por ser uma equipe subversiva e vencedora.

Com Pelé, Tostão e Gerson, obteve de largada seis vitórias em seis jogos nas Eliminatórias, algo parecido com o feito de Tite neste momento. Mas João afrontava o general Emílio Garrastazu Médici, presidente à época. Durante o sorteio de grupos da Copa de 70, teve a coragem de distribuir às autoridades internacionais uma lista com mais de 3.500 presos políticos no Brasil.

Os militares não o aceitavam. E uma pequena deixa foi suficiente para tirá-lo da seleção. Ao ser questionado por que não escalava Dadá Maravilha, tido como um dos preferidos do presidente do regime ditatorial, soltou: “Ele [Médici] escala o ministério, eu convoco a seleção”. Caiu na sequência.

Figura das mais polêmicas chegou a morar em Curitiba e estudar no Colégio Estadual do Paraná. Nutriu uma forte simpatia pelo Atlético, embora fosse de fato um torcedor ferrenho do Botafogo. Traz as suas biografias que ele  morou na Avenida Iguaçu, próximo ao Joaquim Américo, e que foi nas inserções pela Baixada que passou a gostar do futebol. Declarou-se atleticano por isso.

João Sem-Medo, como ficou conhecido, morreu em 1990, durante a Copa da Itália, aos 73 anos, vítima do tabagismo.

 

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