Uma detalhada análise econômica e financeira de Atlético e Coritiba mostra que os rivais trilham caminhos distintos no que diz respeito às condições financeiras futuras.

Levantamento feito pelo Itaú BBA, avaliação tradicional desde 2010, envolvendo os principais clubes do país, faz uma reflexão difícil para ambos, mas enquadra o Furacão em uma perspectiva mais tortuosa, fruto da dívida envolvendo a Arena da Baixada.

O trabalho – com a intenção apenas de mostrar a condição monetária dos clubes – é realizado pelos profissionais da área de crédito da instituição financeira, com base exclusiva em informações públicas, como o balanço anual dos clubes.

Veja qual a leitura financeira feita para o Atlético, enquadrado com o título “Preparando terreno para dias difíceis”. Os grifos são da edição

O Atlético Paranaense continua sendo uma equipe bem organizada sob o ponto de vista financeiro. O que não significa que seja exemplar ou não tenha ajustes a serem feitos para enfrentar momentos mais duros nos próximos anos.

Nos parece que o clube tem uma visão clara de seus movimentos. Afinal, depois de anos passou a gerar caixa em termos recorrentes, e isto tende a mudar o patamar da equipe, uma vez que vendas podem ser usadas de forma independente do fluxo de caixa cotidiano.

 Mas ainda há desafios, pois a geração de caixa pura e simples é insuficiente para honrar as demandas do financiamento da Arena da Baixada. O clube precisará necessariamente ampliar as rendas geradas pelo estádio ou usar de forma mais clara as vendas de atletas para fazer frente a estes passivos. O problema, como sempre, é a dificuldade em prever estas receitas. E se não ocorrerem? Sem contar que em 2016 houve luvas que ajudaram a compor as demandas de caixa.

 Para isso é preciso um plano pragmático e claro, com fontes bem definidas e controle de custos ordinários.

 Para 2017, a realidade tende a ser parecida com a de 2016: receitas estáveis, a depender de quão longe forem na Libertadores, e custos precisam se manter controlados. As contas mais salgadas estão chegando e é preciso cuidar delas.

O Coritiba teve uma análise mais breve, porém foi titulado como “andando nos trilhos”

O Coritiba continua dentro de suas limitações, contando com as Receitas de TV e a participação representativa de seu torcedor, que formam os pilares das Receitas do Clube. Trabalha dentro das possibilidades, sem grandes saltos de Custos e Gastos que coloquem em risco a saúde financeira do clube. Destaque para o fato de investir mais na Base que no elenco Profissional.

Isto se reflete no Índice de Eficiência, que foi zero nos dois anos, ou seja, não apresentou conquistas. É o risco de andar na linha: conquistas rarearem e viver na corda banda da Zona de Rebaixamento na Série A. Precisa encaixar um bom trabalho esportivo para ajudar a mudar o patamar da equipe.

VEJA a análise do balanço 2016 do Atlético

Veja a análise do balanço 2016 do Coritiba

Por tópicos, há uma comparação interessante da dupla Atletiba. São seis itens levantados pelo Itaú BBA.

 1 Receitas

Atlético: receitas cresceram 14%, fortemente suportadas pela TV, que cresceram 79%. Das demais Receitas, Publicidade sofreu bastante, caindo 40%, assim como venda de Atletas (-44%), mostrando seu perfil não-recorrente.

Coritiba: crescimento de receitas de 27%, com destaque para as receitas de TV, que subiram 51% e passaram a representar 53% do total. A segunda receita mais relevante do clube é a de bilheteria/sócio torcedor, que representa 27%, mas cujo desempenho foi ruim em 2016, caindo 2% em relação a 2015. As demais são menos relevantes, de forma que o impacto geral foram este crescimento de 14%.

2 Geração de caixa

Atlético: o que chama a atenção no clube é a constante evolução do EBITDA Recorrente. Veio melhorando em 2014 e 2015 e finalmente em 2016 operou no positivo, ainda que num valor modesto. Mostra claramente a menor dependência de venda de atletas, que de fato ocorreu em 2016. Os Custos cresceram acima das receitas, mas não descolaram muito. Muito positiva a gestão do clube, que precisa se organizar para pagar o estádio e o Profut.

Coritiba: apresentou equilíbrio novamente m 2016, com EBITDA positivo tanto total quanto Recorrente. Trabalhou crescendo os custos na mesma proporção das receitas, uma vez que o EBITDA nominal foi praticamente o mesmo do ano anterior.  

3 Valor presente

Atlético: depois de um ano bastante ruim, as Receitas Recorrentes se recuperaram bem em 2016. Mas, de fato, 2015 foi um ano atípico, uma vez que as Receitas Recorrentes crescem substancialmente acima da inflação com alguma tranquilidade.

Coritiba: o desempenho das receitas recorrentes vinham deixando a desejar. Entre 2013 e 2015 nunca venceu a inflação, o que se reflete num quadro bastante desafiador. Em 2016 recuperou esta condição, graças à nova cota de TV.

4 Adiantamentos

Atlético: as contas de giro se comportaram dentro da normalidade, sem destaques.

Coritiba: as contas de giro do clube pressionaram o fluxo de caixa, com saídas relevantes de passivos que financiavam a operação.  Em TV o destaque foram as luvas de R$ 31 milhões.

5 Investimentos

Atlético: clube finalizou investimentos em Estrutura, no total de R$ 55 milhões. Por conta disso sua dívida bancária aumentou. Demais investimentos foram módicos.

Coritiba: manteve o perfil de Investimentos, focando na base (R$ 6 milhões) e menos no elenco profissional (R$ 3 milhões).

6 Impacto na dívida

Atlético: a dívida relevante do clube é com a Arena da Baixada. As demais dívidas são comportadas ou realmente baixas, mostrando que a gestão é consistente.  Mas terá um trabalho quando esta dívida começar a vencer, e certamente isto tende a apertar o fluxo.

Coritiba: as dívidas se comportaram bem, com, com redução na dívida total, a partir da forte redução na bancária e na operacional. Os impostos cresceram pela correção do Profut.

 

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