Henry Milleo / Agência de Notícias Gazeta do Povo
Operário e Iraty foram duas das equipes do interior que fizeram bom papel no 1º Turno

O primeiro turno do Campeonato Paranaense já ficou quase inteiro à nossa popa. Algumas conclusões merecem ser tomadas. A primeira é que o interior uma força média maior que outros anos. Um possível motivo é que, tendo menos equipes, os principais jogadores estão concentrados em menos equipes. Por outro lado, além de jogadores “figurinhas carimbadas com número de patrimônio na FPF”, os clubes importaram pé de obra.

Arapongas e Operário foram os times que olharam mais para fora do estado e se deram melhor. O time nortista apostou em jogadores com bastante rodagem em outros centros e até fora do país, como Jocivalter e Luciano, por exemplo. O Fantasma usou de uma parceria com uma empresa do Rio de Janeiro para mesclar valores vindos principalmente de lá à boa base do ano passado.

A receita carioca não deu certo no ano passado com o Nacional de Rolândia, mas aí há uma diferença (além de ser uma empresa completamente diferente da do OFEC): os jogadores do NAC de 2010 chegaram em cima da hora e estavam mal fisicamente, enquanto que no Operário, o perfil dos trazidos é parecido com o dos remanescentes, havendo um melhor planejamento. Curiosamente, o gerente de futebol do Arapongas e do NAC são a mesma pessoa e Sidiclei Menezes, num clube visivelmente mais organizado, tem mais autonomia e sabe o que não dá certo neste caso.

Não é nenhuma novidade os bons números de Operário, Iraty e Cianorte. Confesso estar esperando o brilho deles, com o pé atrás anterior que eu tinha com o Operário, mas que a sequência de jogos dissipou. O Operário está fixando-se como um dos grandes do interior, um lugar merecido para uma cidade como Ponta Grossa.

O Iraty manteve a boa base do ano passado e um bom trabalho com jogadores de pouca idade. Com alguma dose de exagero, podemos apontar Gilberto Pereira como o nosso Arséne Wenger, treinador talhado para trabalhar com jovens.

O Cianorte veio de uma temporada decepcionante, quando ficou fora por uma unha. Daquele time de 2010, recrutado praticamente no Norte pelo treinador Luís Carlos Winck (gaúcho que rodou pelo Amazonas), sobrou um mineiro com passagem pelo São Raimundo do Amazonas: Brinner. O técnico mudou (Bagé fez o Leão seguir na sina de técnicos gaúchos) e o clube se organizou investindo em fisiologia e preparação científica. Nisso, o Cianorte se igualou aos principais clubes do campeonato. Para quem não conhece o lado mais ciência do futebol, o departamento de fisiologia é importante para o planejamento de toda a comissão técnica. Os clubes menores não têm, por exemplo, o exame do lactato, que pode indicar que um atleta pode estar sendo sobrecarregado. O Cianorte tem isso em casa e isso pode fazer diferença no segundo turno.

É provável que Arapongas e Corinthians (com alguns interessantes jogadores de boa rodagem) cresçam, porém a hora de “zebrar” pode ter passado, pois a Capital tende a se estabilizar e crescer.Pese a decepção com o Cascavel (a receita de super experientes não funcionou até agora) e Rio Branco (ainda corre os mesmos riscos das últimas temporadas), mas nada impede de uma melhora dos times, que já alteraram o comando técnico.

O Segundo Turno está na nossa proa. Algum palpite para o interior? A caixa de comentários é de vocês.

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