João Brucschz / Gazeta do Povo
Na semifinal de 1991, Pachequinho tenta se livrar da marcação do Grêmio, obeservado por Hélcio: safra de craques no pior momento da história do Coritiba

Coincidência, o Coritiba pode conquistar a vaga inédita à final da Copa do Brasil, na partida contra o Ceará, nesta quarta-feira (25), no Couto Pereira, exatos 20 anos após a primeira das quatro semifinais que o clube chegou na competição nacional (1991, 2001, 2009 e 2011).

No dia 25 de maio de 1991, por pouco o Coxa não conseguiu passar pelo Grêmio, no Estádio Olímpico, em Porto Alegre, com uma equipe que mesclava jogadores experientes – como o goleiro Luiz Henrique, o zagueiro Heraldo e o atacante Chicão – com uma excelente safra de novatos que teve o azar de despontar justamente no pior momento da história do clube. Após empatar em Curitiba por 1 a 1 no primeiro jogo, o Coxa perdeu por 1 a 0 na capital gaúcha.

Sem dinheiro no caixa para contratações, após a queda à Série B do Brasileiro no tapetão em 1989 e à Série C em 1990 (disputa que foi extinta em 1991), a diretoria alviverde foi obrigada a apostar em jogadores da base. Entre os atletas que começavam a despontar naquele período estavam o volante Hélcio e um atacante baixinho e veloz que, se não fossem os constantes problemas nos joelhos, poderia ter ido muito mais longe na carreira: Pachequinho.

“Sinceramente, se o clube estivesse bem naquele momento, dificilmente nós teríamos oportunidade de subir para a equipe titular. Por um lado, a crise foi boa para nós, porque nos deu a chance de jogar. Mas no geral, prejudicou muito o clube, o elenco e a torcida”, recorda o ex-volante Hélcio, hoje empresário de jogadores em Belo Horizonte (MG), que marcou o gol no empate em 1 a 1 na primeira partida da semifinal com o Grêmio.

Depois do turbilhão de fatos ruins nos anos anteriores (além das quedas no Brasileirão houve o empate em 2 a 2 Atletiba decisivo do Paranaense de 1990, com gol contra do zagueiro Berg que custou o título), 1991 parecia ser o da recuperação alviverde. Mas poucos dias antes da desclassificação na Copa do Brasil os erros da arbitragem e a conduta da diretoria do Guarani impediram que o Coritiba retornasse à elite do futebol brasileiro, o que só aconteceria dois anos depois.

No dia 13 de maio de 1991, doze antes da partida com o Grêmio no Olímpico, o Coxa teve um gol de Chicão anulado injustamente pelo árbitro José Roberto Whrigt na semifinal da Série B do Brasileirão. Antes do jogo, a diretoria do Bugre havia derramado produtos químicos no vestiário, o que impediu a preparação da equipe antes de entrar no gramado. Com tal cenário, o Coxa perdeu por 1 a 0 no Estádio Brinco de Ouro da Princesa e, como havia vencido pelo mesmo placar em Curitiba, a decisão foi para os pênaltis, na qual o Alviverde foi derrotado por 5 a 4.

“Tínhamos uma equipe boa, mas que infelizmente não tinha estrutura para trabalhar pelas dificuldades. Para se ter ideia, o salário atrasava três, quatro meses… Mesmo assim fomos bem na Série B. Se não tivéssemos sido roubados contra o Guarani, poderíamos ter ido mais confiantes para a partida contra o Grêmio”, recorda Hélcio.

Pachequinho, hoje observador técnico do Coritiba, lembra que a equipe vinha muito bem naquele ano. Tanto que, antes de ir à semifinal, o time havia passado nas quartas de final por uma das sensações do futebol brasileiro naquela época, o Botafogo, então bicampeão carioca.

“Estávamos bastante focados naquela temporada. A gente esqueceu os problemas internos. E, naquela época, para uma equipe da segunda divisão chegar à semifinal de uma Copa do Brasil era muito difícil. Tínhamos chances reais de ir à final”, relembra Pachequinho.

Do dois confrontos com o Grêmio, Pachequinho lembra que o Coxa botou pressão nos 15 minutos finais em Porto Alegre. “Por pouco não empatamos. Os dois jogos foram bons. Saímos tristes do Olímpico, mas de cabeça erguida”, afirma o ex-atacante.

Já o que mais vem à memória de Hélcio foi o gol de cabeça que ele fez na primeira partida. “A gente treinava muito as cobranças de falta. O Nardela cobrava para eu cabecear”, revela o ex-volante.

Na comparação com a campanha atual, Hélcio e Pachequinho enfatizam que os tempos são outros, tanto do futebol nacional, como do próprio Coritiba.

“Se tivéssemos essa estrutura que o Coritiba tem hoje, eu acredito que teríamos vencido a Copa do Brasil”, aposta Hélcio.

“O Coritiba está na mesma fase da mesma competição que 20 anos atrás. Mas hoje a Copa do Brasil é muito mais valorizada. Seria difícil o clube apostar em novatos no time titular agora como fez naquela época”, avalia Pachequinho.

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