Se algum pai atleticano levou o filho pela primeira vez ao estádio ontem, para ver o jogo contra o Serrano, saiu com a certeza de que arregimentou o guri para as fileiras rubro-negras. Um 8 a 0, perante os olhos de uma criança, é hipnótico e mítico. A subjugação completa do adversário. Uma variedade de gols e personagens para o garoto (ou garota) chamar de ídolo.

O valor da goleada de ontem vai pouco além dessa possibilidade de “perpetuação da espécie”. Como medição da força do time, serve para quase nada. O Serrano não está preparado para disputar uma primeira divisão. Só está ali porque o futebol paranaense de hoje paga muito ainda pelos erros de ontem, quando a política do quanto mais melhor dava o limite do número de participantes. Com dez clubes, a primeira divisão estadual seria mais seletiva e não nos deixaria diante do que se viu na Arena: um time de profissionais jogando como um amontoado que mais parecia um combinado de casados&solteiros. Renaldo, com sua história e seu talento ainda claro, não merece ficar pregando no meio desse deserto que é o Serrano.

O Atlético, que não tem nada com isso, fez sua parte. Diante de um adversário frágil, goleie-se. Sem dó. Sem tirar o pé. Os oito gols de margem podem ser muito importantes como critério de desempate. Em um campeonato em que já se tem a impressão de que Atlético, Coritiba e Paraná (talvez com Operário, Corinthians e Cianorte na carona) vão sobrar, qualquer detalhe ajuda.

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Valencia saiu aplaudido de pé. No Atlético de hoje, ninguém tem mais identificação com o clube do que ele.

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Bruno Mineiro fez gol, mas também cometeu erros primários. Me lembrou um pouco Finazzi, que quando não fazia gol, era o pior em campo.

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Marcelo funcionou melhor como atacante do que como ala. Coroou a boa atuação com um golaço, a partir de uma arrancada fantástica desde o campo de defesa. Lopes deveria parar de inventar e deixar o menino jogar onde ele sabe.

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Bruno Furlan fez outro belo gol, excelente cartão de visitas. Merece ser observado contra um adversário de verdade.

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Marcelo jogando bem, Bruno Furlan estreando com um belo gol, Serna por estrear, Alex Mineiro para voltar, Bruno Mineiro provando sua utilidade… Wallyson e Patrick, aos poucos, vão se tornando cada vez mais dispensáveis para o Atlético.

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