Boa tarde internautas. Hoje a Gazeta do Povo realizou a segunda sabatina com os candidatos à presidência do Paraná Clube. Ontem (quarta-feira) o entrevistado foi José Alves Machado, da oposição. Nesta quinta foi a vez de Aquilino Romani, atual vice-presidente, candidato da situação.

Entre os diversos temas abordados, o que me mais se destacou foi a confiança do candidato na vitória. “Não tenho essa preocupação (de perder)”, disse. Mesmo assim, elogiou o candidato da oposição e pregou a união de todos para o bem do Paraná. Falou também sobre um grande projeto de reconstrução da Vila Capanema, que seria usada nos eventos da Copa do Mundo de 2014.

Leia a seguir todas as perguntas da sabatina comandanda pelo editor de esportes da Gazeta, Leonardo Mendes Júnior. Participaram também os editores assistentes Rodrigo Fernandes e Sandro Gabardo, além dos repórteres André Puglise, Fernando Rudnick, Robson De Lazzari e Eduardo Luiz Klisiewicz.

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15h51 – Em cinco minutos começa a entrevista. O candidato já esta no prédio da Gazeta do Povo…

15h55 – Já estão na sala o candidato Aquilino Romani e o assessor de imprensa do Paraná, Greyson Assunção…

COMEÇA A ENTREVISTA…

Serão 45 minutos de bate-papo!

Leonardo Mendes Júnior, editor de esportes da Gazeta do Povo: Como o senhor pretende levar o social e o futebol do Paraná caso seja eleito?

Aquilino RomaniO Paraná é uma coisa só. Não há como separar um do outro. Há anos as contas são separadas e todo ano apresentamos planejamento área por área, social, futebol e sub-sedes. Um ou outro setor sempre dá prejuízo. Mas as contas são separadas. Quem é sócio do social, é sócio olímpico. Se quiser ir a jogos, paga 50% do valor. O que só quer futebol, tem o sócio torcedor. As nossas taxas são muito boas. Volto a falar. Não há como dissolver as coisas. Se alguém falar que vai dividir, tá falando bobagem. Não tem como.

Se não dá para dividir, como fazer com que cada área não dê prejuízo.

Nosso grande erro foi cair para a segunda divisão. Mas não foi só um problema nosso. Caíram o Atlético Mineiro, Grêmio, Vasco, e o co-irmão Coritiba. Mas quero ressaltar que nesses seis anos revitalizamos a Vila Capanema. Tinha gente que não acreditava na época, o professor Miranda, por exemplo. Eu comprei o primeiro camarote e eles bancaram a reforma. Fizemos várias obras. Pelos esportes de quadra, conseguimos disputar as séries prata e ouro do futsal. Conseguimos concluir o CT Ninho da Gralha, que todo mundo prometeu, mas ninguém fez. No futebol, já está tudo pronto. O Aramis vai cuidar do futebol e do marketing, que será muito forte. Temos metas de angariar sócios. Temos um grande projeto para a sede da Kennedy também. Vamos fazer um estacionamento lá. As salas apertadas, iriam para uma nova área, muito mais ampla. Faremos duas quadras de grama sintética. Temos investidor para isso, só não temos liberação da prefeitura para fazer. Com esse projeto, temos como trazer novos associados. Hoje, nós mesmos da diretoria, as vezes deixamos o carro a 300 metros do clube. Com dia de chuva é ruim.
Vamos também refrigerar nosso salão social. Em cima disso, trazer novos associados.

Você disse que não queria ser presidente. Porque decidiu mudar de idéia?

Teve uma reuniao entre os ex-presidentes, um almoço para o qual também fui convidado, mas não houve formação de uma chapa. Eu não queria concorrer, mas olhando as chapas que se apresentavam naquele momento, temi pelo futuro do clube. Os ex-presidentes me convidaram e só aceitei por isso. Fizemos a composição e o Aramis vai cuidar do futebol e marketing. Nós ficamos com o objetivo de fazer a melhor gestão da história do Paraná Clube.

Eduardo Luiz Klisiewicz

Você colocaria dinheiro do seu bolso para ajudar o clube?

Nunca. Meu sócio, por exemplo, torce para outro time. Fiz parte daquele grupo de investimentos e fui um dos que pus mais dinheiro. Mas não é nossa intenção dessa vez. O propósito é buscar patrocinadores para 24 meses, não só investidores. Só vou acreditar quando o dinheiro estiver na mesa.

Porque a atual diretoria não aceitou a ajuda desse grupo (eles disseram que ofereceram), que agora é seu parceiro, no começo do ano?

Muito se falou, mas ninguém apareceu para ajudar. Se tivessem nos dado dois ou três jogadores, nós estaríamos na Série A. Mas ninguém apareceu.

Como ficaria a parceira com a L.A.? Está descartada?

Nenhum empresário de jogador esta descartado. Temos atletas de vários empresários e só se fala da L.A. Se o jogador for importante, não importa de onde venha, estaremos negociando.

O Paraná é refém dos empresários?

O futebol é refém dos empresários. Vários clubes anunciam parcerias. Hoje um jogador precisa de uma camisa para se valorizar. O Paraná tem uma camisa forte. Temos que apenas negociar melhor para ter uma participação maior.

Como manter o Marlo Litiviski (da BASE) e o Luiz Alberto (da LA) sob o mesmo teto, já que os interesses dois batem?

Tenho empresa há quase 30 anos. Vamos fazer de tudo para unir o clube e seus parceiros. Agregar. A BASE é importantíssima, pois investiram. Mas esse ano perdemos tudo nas categorias de base. Não digo que há algo de errado, mas precisamos rever algumas questões. Teremos que ter um gestor do clube, conforme prevê o contrato, lá, observando os jogadores.

Você gostaria de ter o Vavá (ex-diretor de futebol) no dia a dia do clube?

O Vavá é um grande amigo nosso, mas é bem ligado à LA. Ele poderia ajudar muito como sócio, como paranista. Traremos alguém para cuidar do nosso futebol.

E os jogadores da L.A.?

Vejo o que sai pelos jornais. Já falei com o Luiz Alberto e ele disse que vai jogar os jogadores dele para o Avaí. É difícil segurar, pois são destaques. Mas não temos que nos preocupar, pois temos outros bons jogadores em vista.

O Aramis vai ter carta branca?

A idéia nossa é trabalhar entre quatro a cinco pessoas. O Aramis vai conduzir as coisas, junto comigo, além de um diretor de futebol e um representante do grupo que dará o aporte financeiro. No mínimo quatro pessoas. Ultimamente erramos muito nas contratações. Trouxemos seis laterais esquerdos, por exemplo, e nenhum deu certo. Precisamos errar menos.

Qual a estratégia para trazer o torcedor de volta ao estádio?

Temos um grupo de marketing que vai trabalhar forte nisso. É frustrante, porque no Pinheirão tínhamos a mesma média de público que temos hoje. É triste. Eu conheço quase todo mundo que vai ao estádio. São as mesmas caras todos os jogos. Já tivemos grandes times, na Libertadores, com só seis mil torcedores no estádio. Fazemos um chamamento ao torcedor, para que nos ajude. Ontem, Ceará e Bragantino, jogaram para 35 mil torcedores. Mesmo com grande time, a média não mudou. Para voltar para a primeira divisão, temos que ter uma média de pelo menos 8 mil torcedores. Precisamos de ajuda dos paranistas. Vamos fazer melhorias, tentaremos cobrir a curva norte para dar mais conforto. Não é promessa

PERGUNTA DOS LEITORES Nelsi Frizzo, Maurício Leonardo Zen e Everton Tricolor: Como voltar para a primeira divisão?

Primeira coisa a fazer é pensar fortemente em voltar. Nesse ano, o nível ténico não foi dos melhores e não aproveitamos a grande chance que tivemos. Erramos e desmontamos tudo no Paranaense, com o Paulo Comelli e Cia. Só se volta para a primeira divisão com uma boa comissão técnica, bom time e muito trabalho. Não se pode dar uma autonomia dessas para um treinador. Podemos pedir opinião, mas o treinador não dará voto para decidirmos quem trazer. Não vamos contratar ninguém por DVD.

Como é o seu relacionamento com os demais clubes da capital?

Nunca estive muito no meio do futebol, mas não tenho problemas com ninguém. Conheço todos os dirigentes e estádios, mas não acompanho o dia a dia. Por isso precisaremos da ajuda do Paulo Welter, do Aurival e de outros amigos. O Paraná é um time querido por todos. Os atletas gostam de jogar aqui, pois sabem que recebem em dia. O Aramis fará mais esse contato, apesar de estar um pouco desatualizado também.

Como montar o time que o senhor promete, se os jogadores da L.A. vão sair e poucos do que estão aí pertencem ao Paraná?

Trabalhando muito. Não descartei nenhum jogador da L.A., por exemplo, mas estamos buscando outros reforços. O Aramis está viajando muito, o Will (Rodrigues, olheiro) está há tempos buscando esses nomes. Temos também promessas das categorias de base. Bruninho, Elvis, Vinicius, Rodolfo. São várias promessas.

O que fazer com a Vila Capanema? Pretende participar da Copa do Mundo de alguma forma?

O Luiz Carvalho é meu amigo pessoal. O Ipucc tem vários projetos, desde a saída da Vila das Torres, da Rodoferroviária, da linha férrea. Tenho contato com vários empresários e pessoas interessadas em investir. Não penso pequeno, tenham certeza. Estamos trabalhando. Já falei até com a WTorre, para você ter uma ideia. Sabemos que aquela região, próxima a Vila, sofrerá grandes mudanças. Acredito num grande projeto que vai acabar beneficiando o Paraná Clube. É um sonho, mas que estamos trabalhando em cima dele. Existe o problema da economia mundial. Como o Brasil esta em crescimento, muitos investimentos virão. Existe ainda um problema da Vila com a Rede, mas perto das grandes mudanças, isso é pequeno.

Até onde foi esse contato com a WTorre?

Quando se interrompeu o processo com o Coritiba, procuramos essas pessoas e oferecemos a nossa estrutura. Mas têm outras pessoas. Projeto audacioso, mas viável.

Não seria incoerente um grande estádio para uma torcida que não vai aos jogos?

Acredito que as coisas mudam. Clubes que não tinham sócios, como o Avaí, hoje tem 13 mil sócios. Nossos co-irmãos tem mais de 20 mil. Quando você tem um estádio confortável, gera recursos e monta grandes times. Com isso, a torcida vai atrás.

O senhor confirma as dívidas, de cerca de R$ 7 milhões, e a dificuldade de pagar o 13º salário?

Não é bem isso. É algo em torno de R$ 3 milhões. Outros clubes daqui vão fechar com R$ 17 milhões negativos. É uma realidade para a maioria dos clubes.

O senhor tem alguma dúvida de que vai ganhar?

Não tenho essa preocupação. Confio na minha equipe. Não entro para perder. Gostaria muito que não houvesse bate-chapa. Se eu perder, sorte para ele. Até me coloco a disposição, mas acredito na equipe, no trabalho. Aposto no eleitor para ver quem conhece o clube, quem tem boa proposta.

Se o outro grupo vencer, o Paraná estaria em boas mãos?

Falta projeto, experiência. Conversei com o Machado, que é meu amigo, e ele disse que se vencer vai querer nossa ajuda. Mas falta projeto. Falar em bingo, o bingo é ilegal. Churrascaria é para fazer no estádio. Não gosto de falar isso, mas tem que trabalhar em coisas factíveis, reais e alternativas, que levem o clube a melhorar. Não em brincadeiras. O associado é esclarecido.

Falar em churrascaria, o churrasco de ontem aproximou o Cavalo da renovação?

Sempre fazemos um futebol com churrasco, inclusive convido vocês para bater uma bola lá. Estamos conversando. Há interesse que ele permaneça, mas negociações só após o dia 11.

O senhor é a salvação do Paraná?

Conquistei uma credibilidade. Agradeço a todos que me dão essa confiança. Quero trabalhar forte para que todos venham e deixem as coisas ruins para trás. Vamos olhar para frente, juntar as pessoas por um bem comum. Não sou a salvação, mas quero o apoio de todos para fazer a melhor gestão da história.

FINAL DE ENTREVISTA

Obrigado a todos pela imensa participação. Agora comente as respostas do candidato e dê a sua opinião.

As perguntas que não foram respondidas serão enviadas para o candidato. Assim que recebamos as respostas, elas serão publicadas no site da Gazeta do Povo.

Até a próxima.

Participe da conversa!
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