Hedeson Alves / Gazeta do Povo
Hedeson Alves / Gazeta do Povo

O Mercado Central de Fortaleza, fundado em 1809, é o mais tradicional local de comércio de artesanato e de comidas e bebibas típicas da capital cearense. Em uma rápida passagem pelo maior mercado do Nordeste nesta terça-feira, no entanto, foi possível perceber que o assunto mais comentado atualmente nos corredores dos cinco andares do prédio é o futebol.

Mais especificamente o confronto desta quarta-feira entre Ceará e Coritiba, às 21h50, no Estádio Presidente Vargas.

Falando alto e gesticulando muito, os lojistas chamaram minha atenção assim que entrei no mercado. Estava procurando uma cópia do CD com o funk da Carroça Desembestada. Não encontrei. Mas dei de cara com torcedores do Fortaleza e Ceará discutindo – com seus típicos sotaques – sobre o duelo pela Copa do Brasil.

O comerciante Seu Teixeira, 62 anos, conhecido como o Barbudo do Mercado Central e fã do Fortaleza, declarou seu apoio ao Coxa.

“Com certeza vamos torcer pelo Coritiba. Mas rapaz, só quero [que o placar seja
de] 1 a 0. Não quero que façam como fizeram contra o Palmeiras. Aquilo lá é
covardia”, disse Teixeira, caindo em uma contagiante gargalhada.

O vendedor Albino Lima, 32 anos, também torcedor do Leão, concordou. Mesmo sem
conhecer os jogadores do Coxa, está confiante na derrota do Vozão. “Conheço
nenhum, não. Mas vai ganhar do mesmo jeito. A torcida do Fortaleza vai ajudar”,
declarou ele, que quer ver a Carroça Desembestada parar nesta quarta.

Já o comerciante Damião Gomes, 51 anos, torcedor do Vozão, se mostrou muito confiante quanto a um triunfo de seu time. Ele cravou, inclusive, quem marcaria os gols da Carroça.

“O melhor time é o Ceará, evidentemente. Marcelo Nicácio, Washington e Osvaldo vão fazer 3×1 para o Ceará”, disse.

A parte mais engraçada da visita, porém, nem eu mesmo entendi. Enquanto fazia as entrevistas, um comerciante de outra loja chegou perto e começou a opinar também.

Baixinho – acredito que ele deveria ter por volta de 1.65 m de altura-, ele não se incomodou com meu tamanho, exatos 35 cm mais alto. Arretado, ele pegou um banquinho de plástico, subiu, e se encostou no meu ombro para continuar a falar de bola.

Coisa que só a espontaneidade nordestina é capaz de fazer. Pena que a cena não foi clicada. Vai ficar guardada na memória.

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