É isso mesmo. Vou deixar um pouco de lado de lado a obrigação que quase todo jornalista esportivo acha que tem de estabelecer verdades absolutas. Algo nem sempre possível. Principalmente em discussões sobre arbitragem.

Já vi mais de dez vezes o lance no qual o juiz Wagner Reway, da Federação Mato-Grossense, marcou o polêmico pênalti de Manoel em Lanzini, nos acréscimos do jogo de sábado entre Atlético e Fluminense. Assistindo ao jogo pela tevê, a primeira impressão era de que não foi nada. Uma câmera mais próxima, porém, mostra um encontrão por trás do zagueiro atleticano no meia argentino do Flu. O suficiente para eu achar que “pode” ter sido pênalti.

Como assim, pode ter sido pênalti? Ou é, ou não é, certo? Mais ou menos. Na verdade, para uns é, para outros não é. Depois da partida, muita gente disse que foi – incluindo 100% da torcida atleticana –, e muita gente disse que não foi – incluindo 100% dos tricolores cariocas.

Sempre foi assim e sempre vai ser. É o tipo de lance que nem a arbitragem tecnológica, um dia, será capaz de esclarecer. Porque a regra não é clara – ao contrário do que diz Arnaldo Cezar Coelho, ícone dos comentaristas sobre o assunto que se proliferaram nos últimos anos.

A regra fala em imprudência e uso de força excessiva. Mas o que é imprudente ou excessivamente forte para você? Certamente não é o mesmo que para mim. Ou para o Arnaldo. Ou para o Wagner Reway. Ou para o Manoel. O árbitro estabelece uma espécie de escala própria de imprudência e força. Até certo nível, não é falta ou pênalti. Acima disso, sopra o apito.

Eu, por exemplo, achei o Manoel imprudente na jogada. Mas imprudente o suficiente para que fosse marcado o pênalti? Vale mais o encontrão dele – não foi uma força lá muito excessiva – ou a queda do adversário quando sentiu o contato? Assunto para uma mesa-redonda inteira. Certamente sem unanimidade ou conclusão satisfatória.

Como admiti, não sei se foi pênalti. O que sei é que há uma forte tendência de o juiz afrouxar a tal escala de imprudência ou força quando um grande clube carioca – poderia ser paulista – está perdendo, nos acréscimos, para um paranaense – ou catarinense, baiano, goiano, etc. É uma espécie de instinto de defesa: errar contra o grande, em um momento decisivo, traz uma repercussão muito pior para o juizão. Do outro lado o rigor costuma não ser o mesmo.

Porém, para não alimentar o complexo de perseguição que parece estar tomando conta da Baixada, é bom lembrar que em outros dois lances polêmicos o árbitro pendeu para o lado rubro-negro: pênalti igualmente duvidoso em Wagner Diniz e mão na bola de Rafael Santos em cima da linha marcada fora da área. Ou seja, o cara não queria deliberadamente prejudicar o Atlético.

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