Curitiba está no escalão mais baixo das subsedes para a Copa do Mundo. Não se trata de problemas de infraestrutura ou incapacidade de abrigar jogos mais importantes ou maior número de turistas. A questão aí é mais política do que técnica. Se dentro do próprio país o estado não tem muita força nos bastidores, nas tratativas com a Fifa não foi diferente. Basta lembrar que não enviamos representantes para a escolha do país como sede do Mundial, em 2007, e também não fizemos uma pressão in loco nessa semana importante, a última antes da divulgação do calendário.

Apostamos alto na imagem que nos orgulhamos de ter no exterior, de cidade desenvolvida, exemplar para o mundo em termos de urbanismo, e esquecemos de trabalhar. Será a moral da cidade é tão grande lá fora quanto se pensa por aqui? Parece que não mais.

Curitiba vai receber apenas R$ 710,3 milhões em investimentos. A menor fatia das subsedes. A desculpa é que já tínhamos boa estrutura e precisaríamos de poucas obras para estarmos à altura do padrão Fifa. Parece que só nós não vimos que nunca estivemos verdadeiramente no páreo.

Claro que há uma parcela de culpa também da falta de agilidade nas obras para o Mundial. Fortaleza passou a ser uma das protagonistas do torneio porque seu estádio está em estágio avançado de construção. Fez o dever de casa. Era obrigação cumprir com os prazos acertados. Nós não fizemos isso. Mas quem fez?

Dizer que a Arena da Baixada está semiconstruída é uma verdade, mas a demora para colocar operários trabalhando lá dentro e o mistério envolvendo o financiamento do estádio prejudicaram a imagem da sede paranaense. Sem força política, o mínimo que precisávamos era mostrar interesse, organização, competência. Para a Fifa, mobilidade urbana, por exemplo, não interessa. Na real, o que pega é o campo de jogo, aeroportos para o deslocamento entre as cidades e hotéis para abrigar os turistas.

A divisão das partidas pelo Brasil foi injusta. Na Alemanha, em 2006, todas as 12 sedes tiveram a chance de ver um jogo pelo menos de oitavas de final. Esse era o objetivo real de Curitiba, já que o estádio será pequeno (42 mil) para um evento como a Copa do Mundo.

Assim, a capital paranaense ficará no mesmo patamar de Cuiabá, Natal e Manaus, com quatro duelos de primeira fase, sendo apenas um envolvendo cabeça de chave. Serão 11 dias de Copa 2014 em Curitiba. Ficamos com migalhas.

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