Antonio More/ Gazeta do Povo
O goleiro mirim Vinícius, de 14 anos, usa prótese nas pernas para defender o gol de uma escolinha ligada ao Coritiba

Matéria veiculada neste domingo (7) na edição impressa da Gazeta do Povo, trabalho do repórter Marcio Reinecken. Uma dica de leitura e vídeo.

Vinícius que ser um dos primeiros a receber o jogador Triguinho quando ele retornar a Curitiba para se recuperar da fratura e cirurgia sofrida na perna esquerda. O lateral esquerdo foi um dos atletas que recebeu o garoto no CT da Graciosa, há algumas semanas, realizando um dos sonhos do menino. Agora, o goleiro infantil quer retribuir o apoio. E relembrar a Triguinho que, mesmo quando tudo parece estar perdido, sempre há uma maneira de se ir em frente.

O adolescente tem 14 anos e desde o nascimento, por um problema genético, não tem parte das pernas. Da metade da canela para baixo, usa duas próteses. Também na mão esquerda, lhe faltam três dedos. Mas ele usa o indicador e o polegar com tanta eficiência em suas defesas que, se o leitor não tivesse lido o começo desta matéria antes de ver a fotografia ao lado, não perceberia que o jogador é especial.

Mas é com um sorriso no rosto que atordoa a muitos – inclusive a reportagem – que ele pretende ajudar o jogador lesionado. Afinal, se um garoto com tal deficiência consegue defender um chute potente, dando uma ponte e segurando a bola no ar para cair no chão sem deixar rebote, é difícil pensar que existem obstáculos intransponíveis.

“Comecei a jogar no gol por dois motivos. Via as defesas dos goleiros e sonhava fazer igual. Depois tem outra, para mim, jogar no gol cansa bem menos”, conta Vinícius, que antes de ingressar na escolinha Coxa do Capitão, localizada em Colombo, atuava em Campina Grande do Sul, onde mora. “Mas lá eu não evoluia.”

Há duas semanas, Vinícius começou a conhecer um pouco da fama. Tudo começou com um vídeo motivacional que foi feito para os garotos do Coritiba que disputavam a final do Estadual com o Iraty. Era simples, mas impressionante: apenas o garoto defendo chutes fortes e difíceis e também realizando o treinamento normal com outros meninos, correndo se atirando no chão, levantando, pulando…

O vídeo não foi suficiente para o Coxa vencer o time do interior na base, mas foi jogado no Youtube e, em pouco mais de uma semana, já chegou aos quatro mil acessos.

“Eu fico vendo aumentar. Mas poucos amigos meus tem internet”, revela, um pouco chateado, mas por um motivo diferente.
Explica-se: não é só na bola que Vinícius se destaca. No colégio ele já está praticamente passado na sétima série. É um dos três melhores alunos da sala. Mas ainda convive com as constantes gozações por seu problema físico.

“Agora diminuiu um pouco, mas sempre tem”, diz, no único momento que as suas feições perdem os traços da alegria ou timidez características para dar lugar a um certo consternamento. Mas logo o assunto muda. Ele mostra os dois pares de luvas que ganhou de Edson Bastos. O meião presente do volante Willian. E responde, novamente com bom humor, a pergunta sobre ser, ou não, mais difícil dar impulso usando as próteses.

“Não sei, pois eu uso elas desde os dois anos. Não sei como seria de outro jeito”, responde, sorrindo novamente.

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