Rodolfo Bührer / Gazeta do Povo

Já é assunto corrente nas rodas esportivas reais e virtuais e deve ganhar mais força nesta quinta-feira, quando, segundo consta, estampará os dois principais jornais da cidade (o meu aqui eu garanto, mas ouvi que a Tribuna fará o mesmo): a entrevista de Mário Celso Petraglia à revista Ideias, do Fábio Campana. A publicação mensal chega às bancas na sexta-feira, mas o conteúdo da matéria com o Pet vazou na internet hoje, no Blog Furacão e no Blog da Baixada.

Nos links dos blogs dá para ler todo o conteúdo, quem quiser pode comentar aqui. Mas me atenho por hora ao que considero o ponto principal.

Petraglia propõe um estádio único para Atlético e Coritiba, uma Arena Atletiba. Na verdade, propõe que o Couto seja vendido e invista-se o dinheiro na conclusão da Arena. A partir daí, a dupla teria um estádio compartilhado (como ocorre com a Allianz Arena, em Munique) e privado (o pneuzão da Baviera é público, embora construído com verba particular).

Não vou entrar na questão rivalidade (realmente um empecilho) nem na mecânica proposta por Petraglia. Mas a ideia, em si, é válida. Mais do que isso, um caminho inevitável.

Curitiba tem seis estádios: um para 4 mil pessoas (Ecoestádio), um lacrado pela Justiça (Pinheirão), um desativado (Vila Olímpica) e três incompletos (Couto, Vila e Arena). Estádios demais.

O estádio único (e, por favor, não estou dizendo que deve ser a Arena. Pode até ser no Aterro da Caximba) seria uma atração da cidade, atrairia mais facilmente investidores para construí-lo ou abrir lojas no complexo comercial e instigaria um espírito de preservação nas duas torcidas. Acabaria essa babaquice de ir no estádio do rival quebrar cadeira, corrimão e banheiro. Afinal, o estádio seria comum. Também daria para abrir um belo museu do futebol paranaense, completo e rentável para todo mundo. Enfim, oportunidades não faltam. E não precisaria se restringir à dupla Atletiba. Seria saudável o Paraná entrar na parada.

Também concordo quando Petraglia fala em dar uma sacudida no futebol paranaense para não deixar que ele caia no ostracismo. É só olhar a tabela do Brasileiro. Independentemente do que acontecer domingo, Coritiba e Atlético vão fechar o primeiro turno do Brasileiro sem pisar no G4 uma vez sequer. O Paraná segue calvário semelhante na Série B. Por ora, os melhores momentos dos nossos times foram honrosas eliminações na Copa do Brasil. E o que se faz? Cria-se o Corinthians Paranaense, a Federação só pensa em engordar o mandato do seu presidente sem conseguir fazer nem um regulamento decente.

O momento é de deixar a rivalidade do lado e se abraçar, por questão de sobrevivência. Não apenas com retórica que se desfaz no primeiro encontro de comandos no terminal de ônibus. É preciso dar um choque. E o estádio único me parece ser o ponto de partida ideal.

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