Pensando sobre a suspensão do Evandro Rogério Roman, me ocorreu o seguinte. E se o prejudicado, ao invés do Cruzeiro, fosse um dos nossos times? Ou melhor: e quando o prejudicado foi um dos nossos times? Nada aconteceria, nada aconteceu.

Parei para refletir no tema no fim da manhã, depois de ler o Mafuz e ouvir O Xavier, o PC e o Carneiro falarem sobre isso. A punição a Evandro Roman só reforça a fragilidade dos nossos times e como enfrentamos no futebol brasileiro uma situação magistralmente definida por George Orwell, em A Revolução dos Bichos. “Todos são iguais, mas um são mais iguais que os outros”.

Não vejo muita diferença entre o que Roman fez quarta-feira pelo Palmeiras e o que, por exemplo, o Tardelli havia feito ano passado por Internacional (contra o Paraná) e São Paulo (contra o Coritiba). Ou o que o Simon havia feito por esse mesmo Cruzeiro que hoje reclama contra o Coritiba. Ou o que Giuliano Bozzano fez pelo Palmeiras contra o Atlético. Só para ficar nos exemplos do ano passado.

A diferença, enorme, foi nas punições. Ou na falta delas. Tardelli, Bozzano e Simon seguiram apitando tranquilamente. Roman pegou 30 dias de gancho.

Isso porque Zezé Perrella ergue a voz e todos param para ouvir. Não só da imprensa, mas também na CBF. Ele tem o telefone vermelho de Ricardo Teixeira, sabe arrancar o que precisa do presidente da CBF. Se por alguma circunstância, Perrella não resolvesse, a Federação Mineira chiaria e seria ouvida. Em último caso, Aécio Neves, o político preferido de Teixeira, entraria no circuito e varreria Roman do apito nacional de tal forma que só lhe restaria apitar no Paraguai.

Aqui, nossos dirigentes não tem voz. E a Federação só sabe o caminho da CBF quando é para se beneficiar direta ou indiretamente. Assim, ficaremos cada vez mais à merce da própria sorte e margem das disputas de título do futebol brasileiro.

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