Antônio Costa / Agência de Notícias Gazeta do Povo
Roman tem mestrado e doutorado e sempre sonhou em trabalhar com políticas públicas para o esporte

Evandro Rogério Roman ganhou pontos quando denunciou o maior escândalo de corrupção na arbitragem do país. Sim, o maior. Nenhuma falcatrua tinha tantas ramificações com dirigentes e apitadores quanto o chamado “Caso Bruxo”.

Ele teve uma coragem que poucos teriam. Veio a público e chamou os coleguinhas de “aves de rapina”. Citou nome por nome de todos os gatunos. Não provou quase nada. Mas desmontou a máfia instalada na Federação Paranaense de Futebol.

Como jornalista, acompanhei todo esse processo de perto. Foi nojento. Vou lembrar uma história só – a que mais me chamou a atenção, entre dinheiro em saco plástico, em pote de perfume e outras pilantragens surreais… O sorteio dos jogos entre Paraná e Coritiba, invariavelmente, terminavam com o mesmo mediador. O cara, hoje aposentado, tinha uma sorte repugnante.

Roman fez o que a ética mandava. Cumpriu o seu papel. E logo em seguida entrou para o quadro da Fifa. É hoje um dos juízes de futebol com maior atuação no cenário nacional.

Mas não se pode confundir as coisas. O novo secretário de esportes deu uma lição de moralidade e tudo mais… Agora, tem projeto de gestão pública para a pasta que irá assumir? Não tem. Vai se dedicar exclusivamente à atividade que tanto se espera? Também não vai.

Vou selecionar algumas frases de Roman ao repórter André Pugliesi desta Gazeta do Povo.

“Fui indicado por lideranças do Oeste do Paraná, deputados federais e estaduais, encabeçadas pelos senhores Jacy Scanagatta e Valdomiro Cantini.” Da citação de Roman tira-se uma conclusão óbvia: Beto Richa serviu aliados com o cargo. Não era o que se esperava para um cargo tão importante em quadriênio com Copa do Mundo e abrindo um novo ciclo olímpico.

“Quero sentar com o governador, ouvir e ver qual a linha nesse sentido. Digo apenas que não podemos pensar no imediatismo. Temos de pensar no futuro, e isso passa pela escola.” A falta de discurso de Roman fica clara. Ele não tem um projeto. Vai esperar o governador indicar. Pela fala inicial, não conseguiu dimensionar o desafio que terá pela frente.

“Mas vou negociar com a Federação Paranaense, a CBF e a Fifa para que as escalas sejam reduzidas. Mas em hipótese alguma deixarei a arbitragem.” Por fim, o árbitro – formado em Educação Física e invejável trajetória acadêmica – acha possível conciliar o trabalho político e o apito. Possível, mas não se pode esperar o melhor.

Foi só o começo. É melhor esperar. De bom, apenas o fato de finalmente alguém do esporte assumir o comando da secretaria. Boa sorte, Roman. Você vai precisar.

Participe da conversa!
0