Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Hélio Cury só não teve o apoio do Atlético na mudança do Estauto da Federação

Em meio a pesquisas, o aniversário do Paraná e pernas e dorsos de fora, deixei passar um tema gravíssimo, verdadeira afronta ao futebol do nosso estado. Revelou excelente matéria de Carlos Vicelli, publicada sexta-feira, que Hélio Cury pode ficar na presidência da FPF até o fim de 2022.

A matemática é a seguinte. Hélio tem mandato de 2008 a 2012. Se a Copa vier para cá, ganha mais dois de lambuja. Passado o Mundial, teremos eleição. Se o Hélio ganhar, emplaca 2015/2018. Aí, poderá concorrer à reeleição, o que lhe daria outros quatro anos.

Hélio Cury teve como bandeira de campanha a redução das reeleições infinitas da era Moura a uma só. A grosso modo, fez passar essa alteração no estatuto. Mas na época da campanha ele não havia explicado as letras miúdas e o parágrafo deste novo artigo.

Se idéia era moralizar, que a emenda valesse imediatamente. Que o próprio Hélio cumprisse esse mandato e pudesse concorrer a apenas mais um. Pombas, oito anos é tempo pra caramba. Para que um dirigente quer mais? Será que ninguém percebe que depois dos 22 anos em que o nosso futebol foi refém do Moura o mínimo que se esperava do seu sucessor era desapego ao poder?

E ainda tem essa associação à Copa do Mundo. Se Hélio Cury é presidente da Federação Paranaense de Futebol é obrigação dele trabalhar para que o Mundial venha para cá. Não é favor nenhum, não é nada que mereça tapa nas costas, discursos inflamados, tampouco dois anos a mais de mandato. É dever de ofício. Se alguém da diretoria pensa diferente, que não tivesse assumido o barco.

Claro, não vai demorar para alguém aparecer e dizer que foi decisão dos clubes. Besteira! Escapismo! O presidente da Federação tem poder político suficiente para não deixar uma barbaridade dessas ser aprovada.

E por falar nos clubes… Até se entende a postura do pessoal do interior, que basicamente depende do calendário da Federação para sobreviver. Mas por que diabos Coritiba e Paraná concordam com uma coisa dessas? Os dois clubes têm calendário garantido, receita de tevê, de patrocinador, não dependem da Federação para caminhar. Não precisavam concordar com isso. Nesse ponto, palmas para o Atlético, que discordou. Mesmo que tenha sido mais pensando na Copa do que por convicção, pelo menos foi alguém a não embarcar nesse bonde sem rumo.

Ainda há tempo para Hélio Cury rever a alteração no estatuto, dizer que tudo não passou de um erro e tomar uma decisão guiada pela moralidade. Caso contrário, terá dado o primeiro passo para se transformar em Dom Hélio Cury Rolim de Moura, novo “rei” do futebol paranaense.

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