Imagine se você é um auditor da Justiça Desportiva, já com os filhos criados e os netos correndo pela casa. Você mora no Rio e é carnaval. Mas como não tem mais paciência para a folia (já foi bom nisso!), sai da cidade. Talvez a região dos lagos ou a região serrana. Angra, Paraty, Búzios, Cabo Frio.

Bastante gente vai para lá, mas quase todo mundo volta na Quarta-feira de Cinzas. E você não precisa disso. Já ganhou a vida e a Justiça Desportiva é apenas um hobby, uma maneira de fazer parte da sua paixão.

Isso mesmo, você pode voltar na quinta. Afinal, há um processo importante para apreciar.

Mas espera aí. Não é do seu Fluzão. Nem do Flamengo, do Vasco ou do Botafogo dos seus amigos auditores. Também não é dos neuróticos paulistas. Nem dos gaúchos, aqueles chatos que sempre pensam que estão em guerra. Muito menos dos mineiros, aquela gente simpática que vem se divertir nas praias do seu Rio de Janeiro.

É do pessoal lá do Paraná. Aquele povinho estranho, com cara de europeu, metade quer ser paulista, metade quer ser gaúcho. Ainda se fosse dos “*paraíbas”, até valia esforço. O porteiro lá do tribunal é “paraíba”, você dá o panetone da cesta de Natal do tribunal para ele. Até valia o esforço por aquela gente sofrida. Quer saber, volta na sexta! Resolve tudo na sexta-feira e pronto.

Além disso, se você tomar a decisão na quinta, o time lá do Paraná vai poder jogar um clássico no seu estádio. Sim, aquele campo em que não deixaram o seu Fluzão comemorar o título da permanência na Primeira Divisão.

Vai, que Deus te livre!, que você permite o jogo lá e aqueles vândalos aprontam de novo. Você só está tapando buraco no tribunal, daqui a pouco aquele paulista estressado se recupera e volta – se fosse carioca, passeando no calçadão de Copa todo o fim de tarde, não estaria doente. Melhor não arrumar pra cabeça.

Então fica assim. Você volta na sexta, caneteia o aval do seu xará e dá para aquela gente o que eles esperam. Não saiu quando eles queriam? Bem, não é culpa sua, nem tudo na vida é 100% e o trânsito do pós-carnaval é uma loucura. Se ainda fosse um “paraíba”, até valia o esforço de sacrificar a quinta-feira em Angra.

* paraíba é como muitos cariocas chamam todo mundo que nasce da Bahia pra cima.

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