Os filhos do ex-técnico Caio Jr. desabafaram contra a excursão da Chapecoense pela Europa, com direito a amistoso contra o Barcelona. O ‘conto de fadas’ do clube catarinense revoltou Gabriel e Matheus Saroli, pois consideraram um uso indevido do acidente, esquecendo completamente das vítimas do voo para Medellín (71 mortos no total).

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Gabriel, 21 anos, se manifestou sobre o amistoso disputado no Camp Nou, segunda-feira (7), vencido pelo clube catalão por 5 a 0. No seu Facebook, o caçula de Caio primeiro ressaltou a felicidade de ver o sobrevivente da tragédia de avião, Alan Ruschel, voltar aos gramados. Depois, criticou a diretoria da Chape dizendo que existem pessoas gananciosas e ingratas se aproveitando do desastre ocorrido em novembro de 2016 que vitimou 71 pessoas.

“Pessoas usando o acidente para fazer a marca do clube crescer (jogando contra Barcelona, Lyon, Urawa Reds e Roma). Como já dito outras vezes, os que fizeram a Chapecoense virar o que é hoje, não estão mais presentes, o clube sobreviveu, tem uma diretoria, comissão técnica e jogadores novos, enquanto as famílias nunca mais serão reconstruídas. Inclusive o clube criou uma camisa especial em homenagem ao CLUBE e não aos que morreram pelo clube. Na minha opinião apenas 3 pessoas que fizeram parte desse jogo mereciam estar aí, Alan Ruschel, Neto e Follmann”, lamentou Gabriel, em trecho postado na sua rede social.

Sobreviventes da tragédia. Jakson Follmann, Neto e Alan Ruschel são os únicos que merecem a homenagem, apontam filhos de Caio Jr.

“É um absurdo os novos membros do clube se aproveitarem desta situação e da solidariedade de muitas pessoas (que viraram sócios do clube, que fizeram doações, e que fizeram o clube ter um número de seguidores 6000 vezes maior que o número total de torcedores em todas as redes sociais juntas) para expandir a marca da Chapecoense. Mais uma prova de que virou apenas “mais um” clube, com pessoas gananciosas e ingratas. Apenas quem está passando por isso sabe como é este sentimento, e sempre serei a favor da memória do meu pai, meu primo Duca, meu amigo Pipe, e todos os outros que estavam no avião. Sempre farei de tudo pra manter o nome de vocês VIVOS!”, finalizou Gabriel, lembrando dos falecidos Eduardo de Castro Filho, o auxiliar-técnico Duca, e do analista de desempenho Luiz Felipe Grohs, o Pipe Grohs.

Assim como fez em abril deste ano, Matheus Saroli, 25 anos, também se posicionou. Ele fez uma crítica ao clube no campo de leitores para comentários na rede social do jornalista Juca Kfouri. O filho mais velho de Caio Jr. atacou a direção da Chape e afirmou que o clube está realizando sonhos que eram das vítimas, sem respeitar os familiares.

Matheus Saroli, filho do técnico Caio Jr, externou revolta em post no blog de Juca Kfouri.

“Os integrantes da Chapecoense pós-desgraça estão vivendo momentos inesquecíveis, tendo oportunidades únicas em cima daqueles que se foram. Viagem para a Europa, visita ao Papa, jogo contra o Barcelona. Sonhos do meu pai”, desabafa Matheus.

No final do comentário, Matheus, assim como irmão, criticou a camisa especial feita pela Chape durante a excursão, com 73 estrelas – em referência ao ano de fundação do clube.

“Eles criaram uma camisa nova em homenagem ao CLUBE e não às vítimas – mesmo às vítimas já não seria algo nobre na minha opinião, visto que seria vendido e a renda seria destinada ao próprio clube. Enquanto a delegação aproveita pelo verão europeu, por aqui não conseguimos nem ligar a TV”, finaliza Matheus.

Vários familiares das vítimas entraram na Justiça contra a Chapecoense. A família de Caio Jr. é uma delas. Porém, a última audiência de conciliação realizada no início de agosto não resultou em acordo. Em Curitiba, um projeto tramita na Câmara para batizar o Centro de Esportes e Lazer do Jardim das Américas com o seu nome.

Leia a postagem na íntegra de Gabriel Saroli:

Uma mistura de sentimentos ao assistir este jogo hoje. Primeiro de tudo, feliz por ver a volta do Alan Ruschel aos gramados, um verdadeiro guerreiro. Segundo, difícil saber que estas pessoas que hoje representam a Chapecoense só estão aí por causa dos que morreram defendendo a equipe. Pessoas usando o acidente para fazer a marca do clube crescer (jogando contra Barcelona, Lyon, Urawa Reds e Roma). Como já dito outras vezes, os que fizeram a Chapecoense virar o que é hoje, não estão mais presentes, o clube sobreviveu, tem uma diretoria, comissão técnica e jogadores novos, enquanto as famílias nunca mais serão reconstruídas. Inclusive o clube criou uma camisa especial em homenagem ao CLUBE e não aos que morreram pelo clube. Na minha opinião apenas 3 pessoas que fizeram parte desse jogo mereciam estar aí, Alan Ruschel, Neto e Follmann. Os outros só estão usufruindo, e em nenhum momento comentaristas do SporTV fizeram algum comentário que este jogo era uma homenagem aos que estavam naquele avião, ao invés disso disseram muitas vezes que o jogo era para celebrar a vida. Claro, muito bonito ver o Alan voltar a jogar e Neto e Follmann presentes, tenho certeza que sempre levam seus companheiros juntos com eles. Mas tem que lembrar que este jogo SÓ aconteceu por que teve o acidente, e é um absurdo os novos membros do clube se aproveitarem desta situação e da solidariedade de muitas pessoas (que viraram sócios do clube, que fizeram doações, e que fizeram o clube ter um número de seguidores 6000 vezes maior que o número total de torcedores em todas as redes sociais juntas) para expandir a marca da Chapecoense. Mais uma prova de que virou apenas “mais um” clube, com pessoas gananciosas e ingratas. Apenas quem está passando por isso sabe como é este sentimento, e sempre serei a favor da memória do meu pai, meu primo Duca, meu amigo Pipe, e todos os outros que estavam no avião. Sempre farei de tudo pra manter o nome de vocês VIVOS!

 

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