Albari Rosa / Gazeta do Povo
Wagner Tardelli foi retirado da partida decisiva entre Goiás x São Paulo

Estava jogado no tapete da sala zapeando na tevê quando vi, no Sportscenter, toda a balbúrdia da tentativa de suborno a Wágner Tardelli, que apitaria Goiás x São Paulo, decisão do campeonato, amanhã. A compra do juiz seria parte de um esquema de manipulação de resultado para beneficiar um clube na rodada final do Brasileiro.

Em resumo, é o seguinte:
– O Ministério Público do Rio interceptou informações de que seria enviado ao Tardelli um envelope com dinheiro para ele favorecer alguém no jogo de amanhã;

– O nome do árbitro também apareceu numa lista de pessoas para quem a Federação Paulista teria pedido ingressos para o show do Madonna, dia 14, no Morumbi;

– O MP avisou a CBF, que providenciou a exclusão de Tardelli da partida e pediu um novo sorteio. O baiano Jaílson Macedo Freitas foi o indicado;

– A CBF exaltou a lisura e o caráter de Wagner Tardelli, mas disse que achou melhor preservá-lo;

– Também disse ter provas de quem estava por trás do esquema, mas que só divulgará na segunda-feira;

– Tardelli disse ter recebido a informação do MP de que seu nome foi usado por terceiros, a famosa bola nas costas;

– O Grêmio já levantou a bola de que a rodada final deveria ser adiada para quarta, até que se dê maiores explicações.

Pois bem. Concordo plenamente com o Grêmio. Há um esquema de tentativa de manipulação, a CBF sabe quem está por trás. Ora, por que não divulgou hoje? Ou por que não divulga amanhã? Para que esperar até segunda-feira, quando o campeonato já estará acabado?

Ou, se não há como falar hoje (por algum motivo), então não joga. Quem garante que esse esquema vai além desse jogo, ou que se resume a um único clube?

Se “venderam” o Tardelli realmente sem ele saber, o que impede de ele ter sido vendido em outros jogos? Não só ele, mas também outros juízes? O campeonato está tão contaminado como o de 2005, do caso Edílson Pereira de Carvalho. Naquele ano, só havia evidências claras de tentativa de manipulação de dois jogos, mas os 11 que ele apitou foram remarcados.

Fora isso, já se cria uma neura em torno do Jaílson Macedo Freitas. Dia desses ele errou a favor do Grêmio em um jogo contra o Figueirense. E o outro árbitro do sorteio era o Djalma Beltrame, eternamente associado ao clube gaúcho depois da Batalha dos Aflitos. No fim, tudo vira motivo para suspeita. Não há a mínima condição moral de se jogar enquanto a questão não for esclarecida.

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Em meio a essas informações, quem tira a razão dos coxas-brancas de achar que os erros de Tardelli lá no começo do campeonato, pró-São Paulo, no Morumbi, foram mais do que simples equívocos inerentes à arbitragem? Ou o direito dos paranistas de achar que a cirurgia sofrida contra o Inter, na Copa do Brasil, também foi bem mais que o acaso?

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