É fácil interpretar a intenção do Atlético ao publicar neste domingo (2), poucos minutos antes de enfrentar o Sport, a chamada ‘Carta Aberta’ à torcida. Uma leitura sem pressa, traduz as intenções de Mario Celso Petraglia e Luiz Sallim Emed, que assinam indiretamente a mensagem, através dos Conselhos Deliberativos e Administrativos do Furacão. É uma “declaração de guerra” (com ofensas) ao Coritiba. Confira a carta com comentários.

 

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Carta aberta em nove tópicos

1) O Clube Atlético Paranaense, por meio de seus Conselhos Administrativo e Deliberativo, vem apresentar sincero pedido de desculpas a todos os nossos associados e torcedores, especialmente para aqueles que eventualmente não terão a oportunidade de presenciar a partida do CAP na Vila Capanema, pela Conmebol Libertadores Bridgestone.

A parte mais amena da carta, com um pedido de desculpas à torcida do Atlético, de forma bem direcionada, especialmente para os quase 10 mil sócios que não terão chance de ver in loco o jogo com o Santos, quarta-feira, na Vila.

2) Igualmente, manifestamos que compreendemos a importância desta partida para a história do nosso Clube, esclarecendo que a Administração jamais teria cogitado jogar uma partida tão importante fora da nossa casa se não houvesse a existência de contrato assinado que estabelece a cessão do estádio Couto Pereira, apto a comportar nossa grandiosa torcida.

Diretoria volta a lembrar o contrato assinado com o Coritiba, jogando a culpa no rival pela definição da Vila Capanema. É bom lembrar que o Coritiba argumenta que o gramado do Couto Pereira, que foi trocado nos últimos dias, não tem condições de receber Atlético x Santos. Nasce aí o fio condutor para o momento mais crítico da mensagem atleticana, com ataques e insinuações contra o Coxa.

3) Lamentamos ter acreditado na palavra, na seriedade e no compromisso de pessoas que ocupam cargos de relevo e que, de forma impensada e, de certo modo, até amadora, tomam infaustas decisões que somente prejudicam o fortalecimento do futebol paranaense. Infelizmente, ainda persiste a paixão negativa que toma conta de pessoas que habitam o futebol e diminuem a beleza do esporte, ignorando que a essência da competitividade deve ser resguardada tão somente dentro das quatro linhas.

Ataque frontal à gestão do Coritiba, com o uso da palavra AMADORA. Diz que a rivalidade deve ficar dentro de campo. Pelo parágrafo, Coxa não teve palavra, não foi sério e atrapalhou o fortalecimento do futebol paranaense, por motivo passional, clubístico.

4) Esta Gestão confiou em acordo firmado e se pautou na premissa de ajuda recíproca entre Atlético e Coritiba Foot Ball Club, o qual inequivocamente disciplinava, por prazo indeterminado, o regramento geral para múltiplas cessões temporárias entre si de seus estádios, sempre que houvesse necessidade. E foi de forma deliberada que os gestores do “coirmão” pós-fabricaram argumentos para descumprir o que assinaram e com o que se comprometeram. Isso porque a definição da tabela da Libertadores só ocorreu no dia 16 de junho, quando imediatamente o Atlético contatou o Coritiba, que prontamente sinalizou que cumpriria o contrato. Pediu um valor maior do que estava no contrato. O Atlético concordou. No dia 19 de junho, já com o valor ampliado, o Atlético oficializou o pedido de cessão.

Um fato novo que não é confirmado pelo Coritiba. O Coxa nunca trouxe a público que chegou a acertar o empréstimo. E também não há provas que houve o contato do dia 16/6, apenas do dia 19/6.

5) No dia 23, o Coritiba confirmou a cessão, como noticiaram todos os veículos de imprensa. No entanto, no mesmo dia, pressionado pela sua torcida, mudou de opinião e criou um problema no gramado para justificar o descumprimento do contrato, somente quando então iniciou o processo de implementação da grama de inverno no Couto Pereira

O Coritiba jamais veio a público anunciar o aluguel, ao contrário do que diz o Atlético. Mas de fato a tendência da cessão era forte e foi revista diante da manifestação contrária dos sócios.

6) Para reforçar o teatro argumentativo que impedia a utilização do seu estádio, o Coritiba sacrificou sua própria torcida, locando (apenas no dia 26/06) o estádio da Vila Capanema para jogar no dia 02/07 e, de maneira inconsequente, criou sobre si um passivo indenizatório em favor do CAP. Ainda, com a postura de rompimento, tornou extremamente difícil qualquer relacionamento Institucional entre as Agremiações.

Rompimento entre Atlético e Coritiba é firmado neste parágrafo de forma literal. Atlético insinua que vai buscar uma indenização na Justiça e sela o fim da relação institucional entre os clubes.

7) Esse agir do Coritiba foi um desrespeito com nossa Instituição, com nossos torcedores e com a boa-fé contratualmente assinada. Tal postura só encontra justificativa no habitual inconformismo com o inquestionável crescimento exponencial do Atlético, tanto no cenário nacional como internacional, fruto de um projeto sério, audacioso e que sempre contou com o incondicional apoio de sua apaixonada torcida.

Parte mais pesada da carta: Atlético diz que o Coritiba agiu pelo sentimento de inveja, ciúme. Não usa estes termos, mas qualquer criança faria a mesma interpretação pelo “habitual inconformismo com o inquestionável crescimento exponencial do Atlético, tanto no cenário nacional como internacional” Texto aproveita o embate ainda para jogar confete na administração atleticana.

8) De outro lado, cabe aqui agradecer e enaltecer a postura do Paraná Clube, de seus dirigentes e de sua torcida, que mostraram grandiosidade ao ceder seu estádio para a realização desta importante partida do Atlético – um representante do futebol Paranaense – em sua 5ª participação na Conmebol Libertadores. Devemos também agradecer o empenho e a compreensão da CBF e da Conmebol no trato da questão e por autorizar a realização desta partida em nossa cidade.

Lembrança ao Paraná foi o momento, ao lado do pedido de desculpas, mais nobre da mensagem atleticana. Sem alarde, parece surgir uma aproximação entre os clubes, há muito tempo distantes, uma relação pontuada por ironias e ataques.

9) Por derradeiro, é dentro deste cenário que vimos aqui assegurar nosso compromisso com toda a Nação Atleticana de que não haverá mais nenhum evento na Arena da Baixada que possa conflitar com a agenda de partidas importantes, emblemáticas e estratégicas em competições que o Clube Atlético Paranaense dispute.

Promessa importante fecha a carta e deverá ser cobrada pela torcida do Atlético no futuro. Clube segue com o projeto multiuso da Arena e o conflito de datas entre eventos alheios ao futebol podem ocorrer. A esperar.

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