Daniel Castellano / AGP / Agência de Notícias Gazeta do Povo
Irineu falou com sinceridade que faltou apoio aos jogadores

O grupo de jogadores do Paraná merece aplausos. Desde o dia que soube da tal greve por salários atrasados (algo que ocorreu mais de uma vez), passei a ver esse elenco com admiração. No futebol brasileiro, tal atitude é corajosa demais. Foram lá e cruzaram os braços – e sem fazer corpo-mole dentro de campo, esta sim a prática comum dos boleiros no país.

Além disso, quando já nem precisava mais alguém duvidar da sinceridade e honestidade do time, veio a vitória contra o América-MG. E mais demonstração de coragem.

O zagueiro Irineu sentou na sala de imprensa da Vila Capanema, empunhou o microfone e falou para quem quisesse ouvir a diretoria não falou a verdade para nós (jogadores). Em outras palavras, agora traduzidas para quem insiste em interpretar coisas claras, a diretoria mentiu.

Aplausos para esse time, sem dúvida.

A declaração de um jogador mediano, sem apoio irrestrito da torcida, com grandes chances de ficar marcado por falar a verdade, foi a prova maior que estamos falando de atletas diferenciados. Profissionais de verdade.

Também se tem a impressão que estamos diante de um raro caso de união verdadeira de um time de futebol. Não é fácil mobilizar a maioria dos colegas de trabalho para cruzar os braços ou cobrar o patrão publicamente. Em todas as áreas, vivemos hoje uma inércia profunda no que diz respeito à luta por direitos trabalhistas.

Parabéns aos jogadores do Paraná. E também ao Paulo César Silva. Ele foi citado como o dirigente que trouxe estabilidade aos atletas. E quem falou isso foi um representante dos jogadores. Logo, disse a verdade.

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