A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) votaria nesta segunda-feira (12), a partir das 14h30, o projeto que propõe o retorno da cerveja aos estádios do Paraná. Aprovado em todas as comissões da casa, o tema teria, enfim, a apreciação dos deputados no plenário, mas foi retirado da ordem do dia pelo deputado Ademar Traiano (PSDB). A nova data para a votação ainda não foi definida.

Um dos motivos do adiamento é que a ala contrária a proposta, composta pela bancada evangélica, pede que a avaliação da comissão de segurança pública sobre o tema. Já os deputados favoraveis, cobram que a avaliação seja feita sem a interferência externa de outros poderes. O projeto de lei é assinado por onze parlamentares: Luiz Claudio Romanelli (PSB), Alexandre Curi (PSB), Stephanes Junior (PSB), Ademir Bier (PMDB), Pedro Lupion (DEM), Marcio Pauliki (PDT), Tiago Amaral (PSB), Fernando Scanavaca (PDT), Marcio Nunes (PSD), Nelson Justus (DEM) e Anibelli Neto (PMDB).

Grande apoiador da liberação, ao lado do Coritiba, o Atlético chegou a promover um ato de apoio à medida. Em seu Twitter e Facebook, o clube convocou os torcedores para “demonstrar o seu apoio” indo até a Alep. Depois editou a postagem anunciando o cancelamento.

O Atlético também destacou a Assocap, grupo de apoio da diretoria do clube, que se reuniu na semana passada para ajustar a operação. Dentro do grupo dos favoráveis, há uma conta de que 25 deputados já são favoráveis. São 54, e é necessário atingir maioria simples para o projeto prosperar.

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A enrolada votação do projeto de lei 50/2017 deflagra uma guerra que opõe, basicamente, Atlético, Coritiba, Paraná, e a bancada evangélica da casa legislativa, liderada pela deputada Cantora Mara Lima (PSDB).

Em 2015, na Câmara de Vereadores de Curitiba, projeto semelhante acabou derrubado depois de ter sido aprovado em primeira votação. Pesou a pressão do Ministério Público, da Polícia Militar e, especialmente, a disposição dos vereadores da comunidade religiosa.

Mais do que questões de segurança (importantes, claro) e costumes, a liberação da cerveja representa um ganho financeiro considerável. Com a bebida liberada, é certeza de mais dinheiro em caixa, através da venda nos estádios, naturalmente, e de parcerias comerciais (patrocínios, placas, naming rights etc).

Há um cálculo, modesto, de faturamento de cerca de R$ 100 mil por partida, montante vindo apenas do balcão. Com quatro jogos no mês, seria um reforço de aproximadamente R$ 400 mil. Num cenário de gastos cada vez maiores no esporte, e de concorrência acirrada, é grana importante.

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Não por acaso, no início do ano os presidentes da dupla Atletiba, Luiz Sallim Emed, do Rubro-Negro, e Bacellar, do Alviverde, foram publicamente defender a liberação na Alep. Veja neste link detalhes da aparição e dos argumentos da dupla. 

Entretanto, para derrubar o veto, será preciso encarar forças poderosas. Além da bancada evangélica, reforçada por figuras como como o deputado Missionário Ricardo Arruda (DEM), deputado que apresentou projeto para banir a bebida até das cercanias dos estádios, Polícia Militar, Ministério Público e outras representações vão se opor novamente.

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