Giuliano Gomes/ Gazeta do Povo

Geninho é um caso raro de técnico de futebol ídolo no seu clube. No Atlético ele é um semideus. Condição construída na alegria e na tristeza. Na alegria do inédito título brasileiro de 2001 e na tristeza do risco de rebaixamento transformada em alívio pela permanência na Primeira Divisão.

Por tudo isso, Geninho tem crédito de sobra no Atlético. Seus erros merecem mais tolerância do que o de outros treinadores. É justo, ele construiu isso. Mostrou que vale o quanto cobra.

Mas não significa que Geninho tenha crédito infinito e não haja limite de tolerância com seus erros. E neste ano Geninho tem cometido erros que podem comprometer o ano inteiro do Atlético.

O primeiro, mais claro, foi o da insistência com o elenco que quase caiu no ano passado. Na tentativa de premiar aqueles que salvaram o Atlético no buraco – na verdade tiraram de onde eles mesmo haviam enfiado o time -, tornou o clube refém de um elenco limitado. Pode não custar o título paranaense, mas a conta certamente virá no Brasileiro.

Os outros são pecadilhos na escalação da equipe. Começou com a inexplicável troca de Galatto por Vinícius, depois desfeita. Seguiu com a insistência com Alberto, enquanto Raul vinha voando da Copa São Paulo. Permanece com a inexplicável implicância com Wallyson, melhor que Júlio César e Wesley, mas sem o mesmo espaço que os outros. E com o avanço de Marcinho ao ataque, questionado – mas cumprido – pelo próprio jogador.

Erros isolados, mas que juntos fazem do Atlético um time que não evolui. Sempre vence apertado. Sempre patina. Sempre depende da bola alta para chegar ao gol.

Nada que justifique a saída do treinador. Porém mais do que suficiente para a torcida protestar e para a diretoria chamar-lhe a atenção. Afinal, até os ídolos têm um limite para errar.

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