O presidente do Tribunal de Contas do Paraná, Fernando Guimarães, foi sabatinado na CPI da Copa na última terça-feira (27) e o foco principal acabou sendo os atrasos das obras de infraestrutura, como a Gazeta do Povo já noticiou. Mas a conversa entre eles e os deputados, de cerca de uma hora, não acabou por aí. Veja abaixo mais um pouco do que foi falado, com exceção da primeira nota abaixo, que foi dita antes da sessão.

Ninguém aplaudiu

O presidente da CPI, o deputado Fabio Camargo, fez questão de afirmar ontem que nenhum deputado aplaudiu Petraglia na semana passada. “Tem que rir de quem fala que ele foi aplaudido pelos parlamentares. Quem aplaudiu foram os conselheiros do Atlético que estavam aqui”, disse.

Recurso Público

Guimarães voltou a afirmar que os R$ 123 milhões de potencial construtivo que serão dados ao Atlético são recursos públicos. “O Atlético não precisa pagar, esse potencial será dele. Isso é fato”, afirmou. Por causa do Estatuto das Cidades não há nenhuma ilegalidade nesta transação.

Alteração orçamento da Arena

Foi deixado claro que qualquer alteração no orçamento da Arena, que está em R$ 184 milhões, precisará ser autorizado pelas três esferas (prefeitura, governo do estado e Atlético) para que o novo valor seja dividido em três. Porém, como o presidente rubro-negro, Mario Celso Petraglia disse que qualquer acréscimo ficará por conta do Furacão, logicamente não precisará passar pelo poder público.

Contrapartida do Atlético

Guimarães alertou que as contrapartidas do Atlético para o repasse do potencial construtivo, como a disponibilização de um lugar na Arena para a Secretaria de Esportes, é de difícil quantificação. Ou seja, é complicado afirmar que isso vale x% do potencial cedido. “É como o legado da Copa. É difícil quantificar”, explicou.

Prejuízo atual do clube

Por outro lado, o presidente do Tribunal de Contas lembrou que dá para quantificar quanto o clube está perdendo atualmente por não poder jogar no seu estádio. “Quanto o Atlético deixou de ganhar, isso nunca se fala e dá para quantificar”.

Cadeiras do filho de Petraglia

Para o representante do tribunal, não há problemas que as cadeiras da nova Arena sejam compradas da empresa do filho do presidente do Atlético. “Pela natureza do convênio não vejo problemas. Não precisa ter uma licitação, mas tem que ter um comparativo de preços, como ocorreu”, avaliou.

Desapropriações com permuta

Guimarães explicou que os terrenos que precisarão ser desapropriados em torno de Arena deverão ser devolvidos ao cofre público por meio de permuta. “A prefeitura quer fazer uma creche, por exemplo, em determinado bairro. O Atlético compra o terreno”, explica, lembrando que dependerá do valor do metro quadrado de cada local para que a equação fique completa.

Negociações, juízo, quartel e outros

Ainda em relação as desapropriações, o presidente do TC contou que algumas estão em negociação e outras em juízo. Segundo ele, o quartel estaria sendo adquirido pelo próprio Atlético, o que evitaria essa engenharia financeira. Além disso, a prefeitura estaria negociando outras áreas para desapropriar que nada tem a ver como o Atlético, como setores onde passaria o corredor Aeroporto-Rodoviária.

Engenheiros no TC

Atualmente, o Tribunal de Contas tem seis engenheiros que trabalham para avaliar a parte técnica das obras da Copa. “Não é suficiente, mas pretendemos aumentar este número”, conta o seu presidente.

Dificuldade de informações

O presidente do TC-PR admitiu que o tribunal tem tido dificuldades para obter informações sobre o andamento das obras. “Estamos tendo que correr atrás, sendo que temos recursos humanos limitados”, disse.

Corredor Metropolitano

A diferença de orçamento de R$ 280 milhões do corredor metropolitano fez com que fosse retirado do projeto a Rodovia da Uva e parte do contorno Leste, na BR-476, em Araucária.

Financiamento da Caixa

Guimarães alertou que há o risco de interrupção de repasses de recursos pela Caixa Econômica Federal caso ocorra novos atrasos por causa de projetos mal feitos. Isso já ocorreu na extensão do contorno Leste-Sul e na reforma da Marechal Floriano, quando as construtoras paralisaram as obras por causa da interrupção do repasse dos recursos.

Outros entraves

Ele ainda lembrou que algumas coisas estão sendo deixadas de lado, como a capacitação da rede hoteleira e a melhoria ainda maior dos transportes. Além disso, Guimarães ainda alertou para outras cidades do estado que podem sediar seleções e que não tem tido o mesmo cuidado.

Saúde

Com relação a melhoria do sistema de saúde para atender os turistas durante a Copa, o presidente do TC disse que está planejado apenas a ampliação de alguns leitos.

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