Treino Atlético PR

Por que o ótimo Weverton, do Atlético, não é o titular da seleção brasileira? Diante de atuações convincentes, além da fase irregular dos seus principais concorrentes, só é possível deduzir uma resposta: preconceito.

Não se trata de rejeição por cor, gênero ou coisa do tipo, mas aquele enraizado na cultura do futebol brasileiro: a camisa que veste. Se o W12 defendesse um top 12 do país, teria outro status entre analistas e torcedores, talvez até com Tite e seu preparador Taffarel.

Jogar nos gigantes do Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas pesa muito, traz projeção automática – o atleticano só não é invisível neste momento por causa da Libertadores.

São vários os casos de jogadores que sofreram do mesmo mal, justamente por não ter uma gigante torcida para apoiá-lo e implantar o lobby automático.

Um caso clássico foi Jadson na Copa América de 2011, na Argentina. Depois de brilhar no Atlético, foi para a Ucrânia e acabou chamado por Mano Menezes. Era tratado como invenção. Depois de brilhar no Corinthians, passou a ser um nome a ser considerado na equipe nacional.

Mas a lista é grande.

Principal pegador de pênaltis do Brasil na atualidade (algo que pesa muito na escolha de goleiros para a Copa), o jogador do Atlético parece atravessar seu melhor momento da carreira. Faz defesas incríveis, mesmo nos tropeços do Furacão. Coincidência ou não, cresceu muito após ser protagonista na conquista do ouro olímpico, ano passado. Assim mesmo, dificilmente sairá da reserva da seleção.

Para agravar, o titular Alisson é suplente na Roma, jogando algumas poucas partidas por causa do rodízio do time italiano. E as outras tentativas de Tite para o gol não decolam, como Muralha (Flamengo), Marcelo Grohe (Grêmio) e Danilo Fernandes (Inter).

Agora, vai se testar Ederson, do Benfica. Pode surpreender. Mas vai pagar também pela falta de história em sua terra natal, pois chegou em Portugal com 15 anos.

O Brasil se apresentou na noite deste domingo (19) para jogar no dia 23 (em Montevidéu, contra o Uruguai) e 28 de março (São Paulo, Arena Corinthians, ante o Paraguai). Os duelos podem garantir vaga na Copa da Rússia por antecipação. Weverton estará lá, quase certeza. Mas terá de provar em dobro. E dificilmente vai desbancar a cultura dominante e o bairrismo.

Por enquanto, não existe argumento convincente para Tite deixar o atleticano no banco.

 

 

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