No post sobre o Coritiba, Obrigado e tchau, a quase totalidade dos blogueiros apontou a diretoria do clube, não René Simões, como grande responsável pela draga do Coxa. Mantenho minha posição quanto à incapacidade do treinador de tirar o time do atoleiro, mas faço um mea culpa. Pois realmente ficou a impressão de que a cartolagem alviverde está isenta de responsabilidade. Bem longe disso. Aliás, não só no Alto da Glória, também na Baixada e mesmo na Vila, onde pelo menos em campo as coisas vão se ajustando. Segue o baile…

Quem entende de futebol no Couto?

Rodolfo Bührer / Gazeta do Povo

Desde que Edison Mauad e Tonico Xavier saíram do Coritiba, durante o Paranaense do ano passado, o departamento de futebol coxa-branca está à deriva. A relação com treinadores é simplesmente catastrófica.

Faltou habilidade em manter Dorival Júnior, o grande erro do Coritiba na preparação para essa temporada. Por onde passou, Júnior montou bons times praticamente do zero. Fez isso ano passado no Coxa. Teria feito novamente neste ano.

O erro seguinte foi trazer Ivo Wortmann. Totalmente fora do perfil desenhado pela própria cartolagem, o gaúcho foi contratado porque foi quem sobrou. E ainda teve dirigente no Couto nervoso com quem escreveu isso. Depois, faltou agilidade para mandar Ivo embora. Até o Jamelli viu que ele não era o cara certo.

A contratação de René foi simplesmente uma maneira de se isentar do problema. Entre assumir o risco de apostar em alguém inexperiente e tomar a decisão de investir pesado para trazer um técnico empregado, optou-se pelo populismo. Jogou-se pra galera ao trazer René. Podem apostar: quando começarem as críticas da arquibancada ao treinador, vai ter dirigente dizendo que apenas ouviu a voz dos torcedores.

A formação do elenco é uma comédia de erros. Começa com a incapacidade de reverter os contratos mal feitos pela gestão anterior. Ricardinho, Keirrison, Marlos, Rodrigo Mancha e Leandro Silva deixaram o clube por nada ou quase nada. Inaceitável que em um ano inteiro não tenha se conseguido reverter ao menos uma dessas situações.

As contratações também foram, em regra, catastróficas. De quem chegou neste ano, só Cleiton e Marcelinho Paraíba deram certo. As últimas aquisições, Leozinho, Demerson e Jaílton, são de qualidade duvidosa. Dinelson ficou se recuperando no clube, com salário elevado, e quando melhorou, acabou liberado para o Paraná. Enquanto isso, o time segue com deficiências gravíssimas na lateral-esquerda, no ataque e na zaga.

Tudo reflexo de uma diretoria que simplesmente não entende de futebol e não demonstra a menor humildade de reconhecer esse defeito. Nessa década, apenas dois dirigentes tiveram competência para tocar o departamento de futebol coritibano: Domingos Moro e João Carlos Vialle. São soluções a um estalar de dedos do clube. Mas que não serão chamados – e talvez nem aceitem – porque a diretoria do Coritiba não dá um passo sem pensar nos reflexos políticos. Deveriam começar a pensar na tragédia política (e principalmente futebolística) que seria cair no ano do centenário.

A falta de novas lideranças

Albari Rosa / Gazeta do Povo

O momento atual do Atlético é reflexo direto da era Petraglia. O inegável milagre (ou como preferirem chamar) administrativo e estrutural no clube trouxe como efeito colateral a supressão de qualquer liderança renovada na Baixada. A mão de ferro e o autoritarismo de Petraglia esmagaram o surgimento de dirigentes com autonomia de voo dentro do clube.

Até Marcos Malucelli foi um achado. Saiu do ar-condicionado para o campo e teve papel decisivo na permanência do time na Série A. Depois, parece ter sido mordido pela mesma mosquinha que picou Petraglia e Gionédis. Bons no setor administrativo, os dois passaram a enfiar seus feitos no ralo quando se sentiram capazes de tocar a administração e o futebol.

GG e Pet falharam porque não entendem de bola. Malucelli entende. Também parece ser bom administrador. Mas não consegue fazer as duas coisas juntas. Precisa de ajuda.

Errou ao assinar embaixo na decisão de Geninho de manter o fraco elenco de 2008. Também perdeu o bonde ao demorar demais na escolha do diretor de futebol. Fechou com Valmor Zimmermman, sob a condição de que ele assumisse apenas quando voltasse da Europa. Valmor está curtindo merecido passeio no Velho Mundo, e o Atlético, sem um diretor de futebol, volta à lanterna do Brasileiro.

Paralelamente a tudo isso, começa rolar um zunzunzun de “Volta Petraglia” e boatos de um possível “golpe” no Atlético. Como se isso fosse solução. Mais uma vez, ficam dirigentes que, em um cenário ideal, poderiam muito bem trabalhar juntos, em lados opostos, por vaidade ou por ganância. E o Atlético que galope para a Segundona…

Os reféns de empresários

Valterci Santos / Gazeta do Povo

Na Vila Capanema a situação não é muito melhor. O time reage na Série B, é verdade, mas nada graças à diretoria. A cartolagem paranista já assinou seu atestado de incompetência para gerir um departamento de futebol.

No começo do ano, desesperada, largou tudo nas mãos de Paulo Comelli. Como quase parou na Segundona estadual, foi bater na porta do Vavá e da LA Sports. Repetiu o que havia feito entre 2005 e o primeiro semestre de 2007, último bom momento do Tricolor.

Funcionou naquele momento, é provável que funcione novamente neste ano. Perfeito a curto prazo, mas catastrófico para a longevidade do clube. Pois na hora que a LA quiser vender jogador, o clube pouco poderá fazer além de apanhar o seu percentual no negócio. Sem falar na impressão que sempre fica, de que determinados jogadores só estão em campo para satisfazer interesses comerciais.

O pior é que as categorias de base também foram loteadas. No fim, o Paraná virou uma barriga de aluguel, seja para a formação de jogadores pré-negociados, seja como entreposto comercial.

Aos blogueiros paranistas
Não tiro a razão de quem reclama das poucas aparições do Tricolor nos textos do blog. Desde a reativação do AV, na quinta-feira, o Paraná ocupou meia-dúzia de linhas na página.

Peço a compreensão pelo fato de o Paraná estar sem jogar desde terça-feira. E para ajudar (ou atrapalhar), Coritiba e Atlético ferveram nos últimos dias. Com o avanço da semana e a proximidade do jogo do Ceará, as coisas se reequilibram. Ok?

Por que me irrito

Ah, também me desculpo antecipadamente se fui agressivo demais nos textos acima. Sou um cara novo, mas que cresceu vendo o nosso futebol sucateado na metade dos anos 90 e acompanhou o desenvolvimento consistente entre 95 e 2005. Simplesmente não suporto a ideia de termos apenas um ou nenhum representante na Série A em 2010. Não podemos regredir desse jeito.

E as soluções

Já distribuí a bordunha por aqui e vocês fizeram e seguem fazendo o mesmo nos comentários. É direito nosso. Mas convido os nobres blogueiros a pensarmos também em soluções. Faça seu desabafo aí na caixa de comentários, mas também dê alguma ideia de como nossos times podem sair dessa draga. Preparo alguma coisa por aqui e faço um postão colaborativo, com as minhas e as suas opiniões, para entrar no ar terça-feira. Fechado?

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