A Espanha chegou a Londres – na verdade, Glasgow – carregando o favoritismo da sua seleção principal e dos diversos títulos das categorias de base na Europa: sub-19, sub-21… Não foi suficiente. Acabou repetindo o que fez a Fúria na Copa do Mundo da África do Sul, perdendo por 1 a 0 para uma seleção dedicada, retrancada e de pouca qualidade técnica. Em 2010, foi a Suíça que surpreendeu em um contra-ataque. Desta feita, quem fez os espanhóis engolirem o salto alto foram os japoneses, aproveitando uma jogada de bola parada (escanteio).

O que ficou claro nesse confronto é que a Espanha versão olímpica tem de melhorar muito para merecer um lugar no pódio. Seu estilo de jogo tenta imitar o da equipe principal, com posse de bola, toques rápidos e uma movimentação de suas peças no campo todo. A teoria não condiz com a prática. O “futebol total” da Furiazinha azul – é, eles usaram um azul bebê no debute nos Jogos – é mais confuso do que eficiente.

O atacante brasileiro naturalizado espanhol, Rodrigo, o único na função, apareceu diversas vezes como apoio à defesa; os meias alternavam os lados frequentemente; e os volantes – como o capitão Javier Martinez – se aventuravam de vez em sempre no campo ofensivo. Ninguém tem posição fixa. Seria bom se funcionasse. Não é o caso. Parecia time de escola, com um bolo de jogadores no mesmo lugar.

Como o Japão abriu uma franquia da Muralha da China, pressionando a saída de bola dos europeus e explorando os contragolpes, a falta de recursos dos espanhóis ficou evidente. Foi assim, em uma lambança na frente da área, que o zagueiro Iñigo Martinez acabou expulso no fim da primeira etapa, por dar um ippon no lutador, digo, jogador adversário que bateu sua carteira. Nem a correria dotada de alguma lucidez de Mata (do Chelsea), variando a atuação pelos dois lados da meia-cancha, ajudou a equipe a se encontrar no jogo. Os nipônicos mostraram ao mundo que, apertados, os espanhóis gemem, como diz o ditado popular.

Se a Fúria olímpica pouco apresentou, os representantes da terra do sol nascente tampouco merece grande crédito. Louváveis a entrega do time – o autor do gol, Yuki Otsu, até chorou depois do apito final – e o respeito tático, empurrando a marcação no ataque o tempo todo. Entretanto, falta habilidade com a bola nos pés (futebol é o que mesmo?). Apenas Otsu, que saiu contundido ainda no intervalo, e o camisa 10, Higachi, este principalmente, se destacaram no trato à pelota.

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