Albari Rosa / Gazeta do Povo
Prevendo o pior, Geninho resolveu manter a integridade e deixou o Atlético após a partida

Geninho está de parabéns pela dignidade de pedir demissão no Atlético. Não havia outra saída após a série de erros que ele cometeu ou endossou na atual temporada.

E aqui, gostaria de deixar algo bem claro. Não serei idiota de julgar a história de Geninho no Atlético. O que ele fez pelo clube é incontestável e único. Conduziu o Furacão ao título brasileiro de 2001. Tirou o time do rebaixamento certo do ano passado. Foi eficiente na conquista do título deste ano, encerrando um jejum de quatro anos (abril de 2005 a maio de 2009). Está na história atleticana como um dos grandes ídolos. Se não fosse toda essa bela história, já teria sido escorraçado pelos torcedores.

Mas as duas últimas conquistas deixaram sequelas que precisam ser curadas para evitar o rebaixamento ao fim do ano.

A primeira foi a aposta equivocada no elenco quase rebaixado do ano passado. Escrevi dia desses sobre isso. Elenco quase rebaixado não se mantém, se desfaz.

A segunda, iludir-se com o título paranaense, conquistado mais pelos benefícios do regulamento (adquiridos com mérito, é verdade) e pela incompetência aguda do Coritiba.

Para quem discorda, já deixo aqui um contra-argumento. Entre o Brasileiro e o Paranaense, o Atlético contratou apenas três jogadores: Lima, Preá e Marcinho (os dois primeiros já vazaram). Depois do Estadual, vieram Rafael Miranda, Eduardo e Paulo Baier (os dois últimos nem estrearam). Novidades mesmo, só os guris da base. A insistência com Júlio César e Netinho até sua permanência na equipe se tornar insustentável é outra evidência.

Outro dado que reforça essa aposta(equivocada). Após passar semanas usando a falta de dinheiro como justificativa para não contratar, Marcos Malucelli disse hoje, na coletiva após o jogo, que há dinheiro para trazer jogadores. Ótimo. Mas se esse dinheiro existe, por que só foi usado quando a água começou a bater no traseiro?

São estes os erros com que o novo treinador e a diretoria terão de lidar. A correção tem de ser imediata e precisa. Erro zero. Pode não haver tempo para corrigir nova série de lambanças.

A busca por um substituto de Geninho promete ser espinhosa. Nelsinho Baptista, único nome confiável à solta no mercado, acaba de deixar o Sport brigado com Paulo Baier, novo reforço do Atlético. Duvido que os dois se juntem tão rapidamente.

Ney Franco pode cair ainda hoje, é outra opção. Fora isso, se não for trazer técnico empregado, só vai encontrar bonde.

A bola está com vocês

Deixo aos atleticanos os mesmos questionamentos que deixei aos coxas ontem: a saída de Geninho é a solução? O que deve ser feito para evitar que o Atlético não acabe o ano rebaixado? Quem deve substituir Geninho?

Cara de um, focinho do outro

Tudo o que escrevi acima, com pequenas variações, vale também para o Coritiba. Os erros na Baixada e no Couto Pereira são gêmeos. Ninguém está em condições de ficar tirando sarro do outro. Ambos estão na mesma draga.

Prometeu, tem que cumprir

De Marcos Malucelli, nesta Gazeta do Povo, durante a campanha: “Se antes investíamos em tijolos, agora vamos investir em chuteiras. Mas chuteira de qualidade.” Estamos esperando.

Migalhas

Já perceberam que os melhores momentos da dupla Atletiba fora do estado neste ano foram as “quedas em pé” contra Corinthians e Inter na Copa do Brasil? Quando o melhor de um futebol é ser eliminado honrosamente é porque tem muita, mas muita coisa errada.

Ultraje

Passei parte da tarde em um aniversário de criança e só liguei o rádio quando o jogo na Baixada havia acabado, já no caminho para casa. Imediatamente, não sei por que, me veio à cabeça uma música do Ultraje a Rigor, que tem um trecho assim. “A gente joga bola e não consegue ganhar. Inútil. A gente somos inútil”. Como paranaense, é assim que me sinto após 2 pontos míseros pontos em 5 rodadas.

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