Aconteceu o óbvio na Arena da Baixada, para o confronto entre Atlético-PR e Corinthians. Apesar da proibição da entrada com camisas, e da falta de um lugar reservado, corintianos se uniram no estádio e ocuparam o setor Coronel Dulcídio.

Os alvinegros conviveram com rubro-negros no espaço por algum momento. Entretanto, a concentração foi crescendo, atleticanos preferiram se afastar e a Polícia Militar teve de improvisar um cordão de isolamento para dividir definitivamente as duas torcidas e o batalhão de choque foi chamado.

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Ou seja, na teoria, vale o plano do Atlético e do Ministério Público do Paraná, de criar um novo conceito, inédito no futebol mundial, em que as torcidas sentem lado a lado e vibrem com os gols de suas equipes pelo estádio todo. Batizado de “torcida humana” pelo clube, o nome é tão esdrúxulo quanto a ideia.

E o que se vê na prática é outra coisa. Foi preciso uma arrumação de emergência para evitar qualquer problema. Felizmente, nada grave ocorreu. Torcedores do Internacional foram constrangidos e vascaínos também precisaram ser separados, como aconteceu com os corintianos.

Mais do que isso, entretanto, está sendo atingida a cultura do esporte. A própria torcida dona da casa, a do Atlético, já sofre com restrições em série para empurrar seu time. Não bastasse, o clube fecha as portas para os visitantes, admitidos desde que sem vestir as cores do clube do coração.

Ninguém é a favor da violência, óbvio. Nem que os visitantes fiquem confinados como gado nos estádios. É até ridículo ter que justificar isso. A maioria é favorável, apenas, ao “normal” do futebol. Torcedores civilizados, irmanados na paixão, vibrando ao lado dos seus e com suas cores em segurança.

O projeto do clube não está dando certo. O Atlético perde renda de ingresso, os forasteiros não têm segurança e a Arena possui das piores atmosferas de futebol do país. O remendo feito pela polícia militar na noite desta quarta-feira (21) é apenas mais um capítulo da bobagem que é a “torcida humana”.

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