Torcedor nutella é o melhor meme do momento. Você é um deles?

O torcedor Nutella é o meme do momento. De sapato estilo Dockside (só quem tem mais de 30 anos vai manjar), bermuda curtinha, camisa dobrada no cotovelo e relógio de parede no pulso, a figura surge como a mais fiel representação de uma nova geração que frequenta os estádios.

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Recortado e colado nas mais diversas situações, o torcedor, sempre muito polido, faz recomendações sobre o comportamento esperado nas arenas esportivas da atualidade. Como num teatro, o lance é aproveitar a tarde de entretenimento, sem esquecer, é claro, abastecer o Instagram.

Veja dois bons exemplos, um relacionado ao Athletico, outro pregado no Palmeiras: 

São críticas bem-humoradas ao novo estilo que se tenta impor a todos. Goela abaixo. É o fluxo de um processo de elitização que busca consolidação desde a vinda da Copa ao Brasil em 2014. Bandeira? Atrapalha a visão do campo. Ingresso barato? Não gera renda. E por aí vai…

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Não tenho nada contra o torcedor bunda de veludo, tenho até amigos que são. Acho absolutamente natural que alguns prefiram, no estádio, desfrutar de assentos acolchoados, vallet park, serviço de cabine, lenço umedecido no banheiro, bebida de canudinho e buffet de guloseimas.

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Agora, que siga garantido ao torcedor o direito de vibrar. De ficar em pé, de pular, pendurar trapos, faixas, gritar no embalo da batucada. Espaço há de sobra. Veja o caso da Arena da Baixada, com média de público que não chega perto sequer da metade da praça esportiva.

Alguns clubes, como o Internacional, já estão entendendo o contrafluxo, do descontentamento  dos apaixonados que precisam de apenas um palmo de cimento na arquibancada para curtir o futebol. Em dezembro do ano passado, o clube iniciou a retirada das cadeiras de um setor do Beira-Rio. 

Inter/Divulgação

É evidente que, ao defender a retomada do estádio como um espaço democrático, não estou em campanha pela violência, em defesa dos “marginais travestidos de torcedores”, nada disso. Segurança é uma exigência para todos. Para os torcedores nutella e os torcedores raiz.

O que se espera é somente um pouco de liberdade, conciliação. Quem quiser torcer à moda antiga, torce. Quem quiser ficar com o popozinho na cadeira, fica. Tudo numa boa. O futebol, afinal, é feito para o torcedor. Não é só da TV nem das planilhas do soccer business.

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