Está aí, sem pudor algum, a Superliga da Europa. Consórcio dos considerados grandes clubes do continente, considerados grandes clubes do continente por eles mesmos. Vamos ver no que vai dar. Espero que dê em nada.

E antes que eu desenvolva a minha argumentação, com alguma frequência pedante e precipitada, é fundamental, como dizem, um disclaimer: é claro que futebol também é sobre dinheiro. Mas não é só, como forçam alguns, em tempos de soccer business.

Assim, o que Barcelona, Real Madrid e outros ameaçam é nada além de uma manobra egoísta, gananciosa e, ainda, mal-ajambrada. Sob o mesmo argumento de sempre: oportunidade de turbinar as finanças e, quem sabe, meter a mão na grana muito mais do que os concorrentes.

Exatamente a mesma conversa que os empurrou para a criação de "clubes empresa", para a abertura, arreganhada, ao capital estrangeiro, que é igualmente o papo que, daqui a quatro anos, os fará armar nova arapuca para ganhar mais, considerando que a tal superliga, evidente, ainda não será o suficiente.

São também as justificativas para esconder ciclos de péssimas gestões, avaliações precipitadas, salários astronômicos de jogadores e, importante, casos de corrupção, mumunhas e "levações" de dirigentes. Mesmo em condições bastante favoráveis na comparação com os rivais.

E aí, já aparecem os arautos do soccer business, amparados pelos últimos torcedores ingênuos sobre a Terra, os mesmos que acreditam em VAR, para festejar, hiperventilados, a subida das ações dos clubes da Superliga na bolsa e, veja só, o "capitalismo funcionando". É fascinante.

Estão preocupados com o futebol em Manchester. Especialmente, com as finanças dos bilionários Glazer, donos do United, odiados pelos torcedores do outrora temido Red Devil, e a saúde financeira do fundo árabe que comanda o City como eu esparramava meus times de futebol de botão na infância.

É claro que está em cena uma disputa de poder com a Fifa e a UEFA, duas entidades enxaguadas em corrupção que, concordo, se metem demais na vida dos clubes. Mas, não é sequestrando a bola ou, melhor ainda, os direitos de transmissão, que se encontra equilíbrio.

Felizmente, em sentido contrário e coordenado, já há quem critique a desavergonhada tentativa da Superliga da Europa, com destaque para Gary Neville. O ídolo do United e comentarista da TV inglesa resumiu com a violência sincera de uma voadora do Cantona: "Crime. Estou com nojo".

Como se vê, nem todos enxergam o futebol apenas como marionete do soccer business ou instrumento para se lambuzar em dinheiro e dar volta olímpica com balanços financeiros positivos erguidos aos céus. É também sobre esporte, competição, cultura e identidade. Até que não seja mais.

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