Feliz 2020 a todos os leitores! Seguimos em frente, claro. E já, de cara, com aquelas previsões que, você sabe, são absolutamente infalíveis. E, infelizmente, um tanto quanto óbvias.

Campeonato Paranaense

  • O Campeonato Paranaense será recheado de jogos absolutamente desinteressantes e públicos pequenos e indiferentes (mais preocupados com o Paulistão). Não culpe os torcedores e, não culpe tanto, os clubes. É o cenário, que se descortina ano a ano, resultado de décadas de subdesenvolvimento provocado pelas federações estaduais.
  • Ninguém dará a mínima para a tradicionalíssima rodada carnavalesca. Enquanto a bola rola, os paranaenses estarão entupindo o glorioso litoral local, fritos à milanesa de areia, quando não estiver chovendo, claro, ouvindo sertanejo em volume considerável e praticando a instigante manobra do banho de mar de calça jeans.
  • Haverá uma polêmica sobre a presença dos torcedores do Coritiba para um eventual clássico na Arena do Athletico, ou (menor chance) dos atleticanos para o duelo da primeira fase no Couto Pereira, dia 3 de março.
  • Mesmo a quilômetros das praças esportivas, torcedores vão se digladiar em dias (ou não) de clássicos nos terminais de ônibus de Curitiba. As forças de seguranças serão pegas de surpresa e alguém terá a brilhante ideia de implementar a "torcida única".
  • A torcida do Operário será a mais empolgada das equipes de fora da capital.
  • Teremos barbeiragens dos árbitros e auxiliares e o presidente do órgão local não estará disponível para responder sobre o assunto. Quem sabe mais tarde.
  • Athletico ou Coritiba vão comemorar o título e na quarta-feira seguinte rubro-negros e coxas-brancas não darão mais tanta importância. O Paraná vai comemorar o título e quando iniciar a Série B os tricolores não darão mais tanta importância. Um clube do interior vai comemorar o título e dará importância para sempre.

Futebol brasileiro

Divulgação/CBF
Divulgação/CBF| Rafael Ribeiro
  • O Palmeiras será o grande campeão do Brasileirão e o Flamengo o vice. Da Copa do Brasil também. Ou o Flamengo será o grande campeão do Brasileirão e o Palmeiras o vice. Da Copa do Brasil também. Ou um será campeão de um e o outro do outro. E o que não for será o vice. Bem, você entendeu.
  • O VAR seguirá apavorando o futebol brasileiro. Com demora nas verificações, decisões absolutamente incompreensíveis e pouca transparência da Comissão de Arbitragem da CBF.
  • Clubes vão passar o Brasileirão todo brigando contra o rebaixamento e, ao final, escapando, vão exaltar a conquista de uma vaga na Sul-Americana.
  • O Cruzeiro voltará para a elite e torcedores, dirigentes e imprensa dirão: "volta para o lugar de onde jamais deveria ter saído". Embora tenha dado todos os motivos para sair tanto que, veja só, saiu.
  • O Brasileirão seguirá como uma competição periférica em nível mundial e a ideia de um dia se tornar uma "NBA do futebol", somente um delírio. Boa parte dos estádios alcançará sequer metade da taxa de ocupação, com ingressos caros e serviços de péssima qualidade.

Seleção brasileira

Luis Acosta/AFP
Luis Acosta/AFP| LUIS ACOSTA
  • O Brasil fará campanha tranquila nas Eliminatórias para a Copa de 2022, no Catar. Como sempre, vai se classificar ao final, apesar do futebol de qualidade absolutamente questionável.
  • O interesse pela camisa canarinho seguirá em baixa. E não fosse pelas datas Fifa, que brecam os campeonatos locais, e fazem do jogo da seleção chance exclusiva de ver um futebolzinho, todos estariam ainda mais preocupados com seus times do coração.
  • Galvão Bueno tornará os jogos do Brasil muito mais interessantes e emocionantes do que, de fato, são.
  • Gabriel Jesus terá chances como centroavante.
  • Nos pequenos intervalos em que não estiver no Instagram, Neymar será o jogador mais importante do conjunto nacional. E seguirá achando que carrega o time nas costas tanto quanto Pelé. Não dirá que é melhor que o Rei, embora acredite e ouça isso dos Parças diariamente.
  • Ainda não conseguiremos entender muito bem o que exatamente Tite está querendo dizer.
  • O Brasil será o campeão da Copa América. Como é todo ano.

Imprensa esportiva

Albari Rosa/Gazeta do Povo
Albari Rosa/Gazeta do Povo| Albari Rosa
  • Haverá polêmica envolvendo técnicos brasileiros e estrangeiros.
  • Repórteres seguirão fazendo perguntas longuíssimas e, ao final, concederão ao entrevistado a chance de fazer um rápido comentário ou dar uma resposta que pode ser apenas "sim" ou "não".
  • A Nova Era dos Podcasts prossegue: com aberturas intermináveis, produção antiquada, papo soporífero e som ruim.
  • Os clubes seguirão divulgando os "bastidores", sempre das vitórias, sempre com o mesmo script: música de suspense, jogadores acenando para a câmera e vibrando após a reza no vestiário.
  • Algum repórter vai esquecer que não está logado na conta fake das redes sociais e dirá exatamente tudo o que pensa em seu perfil próprio.
  • Os sites seguirão brigando com foice no escuro pela audiência e sonhando com assinantes.
  • A programação ao vivo continuará dominando a grade com debates sobre absolutamente qualquer coisa e, especialmente, sobre coisa alguma.
  • Repórteres vão se vangloriar de notícias como se fossem os donos da informação e dirão que já informaram aquele assunto há meses e os clubes estão apenas confirmando.

MERCADO DA BOLA: contratações e vendas do futebol brasileiro

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