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Análise

Nikão não disse o que quer. Mas, no Athletico, todos sabem o que é. E eu conto pra você

Nikão não disse o que quer. Mas, no Athletico, todos sabem o que é. E eu conto pra você
| Foto: Gabriel Rosa/Foto Digital/Gazeta do Povo
  • Por André Pugliesi
  • 04/03/2020 12:06

Nikão foi hábil dentro e fora de campo no triunfo do Athletico sobre o Peñarol, 1 a 0 pela Libertadores. Pôs o marcador pra bailar e ofereceu o gol a Bissoli, que concluiu com maestria. E, depois, diante dos microfones, soube se esquivar, bem, sobre uma eventual saída da Baixada.

Disse o cognominado Big Nik: “Sempre deixei claro que eu trabalho aqui. Nunca escondi aquilo que eu queria para os diretores do Athletico. O futuro a Deus pertence”. O jogador respondeu aos repórteres. Mas não disse, efetivamente, o que todos gostariam de ouvir.

Eu digo: Nikão quer deixar Athletico. Nada contra o clube, claro. Poucas trajetórias foram tão bem sucedidas no Furacão quanto a do jogador que desembarcou no CT em 2015, estufando a camisa rubro-negra. Desacreditado, de lá para cá o meia-atacante escreveu história absolutamente apoteótica.

Nikão quer é ganhar mais dinheiro. Bem mais. Desejo absolutamente natural. Ainda no ano passado, esteve para arrumar as malas por duas vezes. Em situação, aparentemente, bem resolvida entre todos os envolvidos. O jogador queria sair, e o clube achava justa a pretensão.

Não rolou e, desde então, Nikão viu diversos companheiros partirem, vários com propostas financeiras constrangedoramente vantajosas. Até que o Corinthians, clube que, por vezes, já demonstrou interesse na contratação do atleticano, voltou à carga. O Grêmio também está de olho.

A proposta corintiana agradou ao atleta. Assim como ao estafe de Nikão. E, mesmo que o Timão tenha sido eliminado da Libertadores, para o pequerrucho Guarani, circular por São Paulo põe qualquer atleta, dos pernas-de-pau, aos bons jogadores como Nikão, em patamar superior. Pergunte aos próprios boleiros.

Mario Celso Petraglia, presidente do Athletico, entretanto, bateu a porta, diferentemente do que fez o cartolão para mais de dez jogadores campeões da Copa do Brasil. Assim, o impasse está criado. Nikão vai? Nikão fica? O jogador tem contrato até o final de 2021 e multa rescisória de 3 milhões de euros, aproximadamente R$ 14,9 milhões.

O que eu acredito que vai acontecer? Nikão vai e o Athletico, forçosamente, fica ainda mais enfraquecido na comparação com 2019. O que eu acho que deveria acontecer? O Furacão oferece o melhor reajuste possível ao jogador, um reconhecimento no bolso por tudo o que Maycon Vinícius Ferreira da Cruz fez ao longo de quase cinco anos no clube. E espera a resposta.

A conversa de que aumento de salários, e diferenças consideráveis nos vencimentos, desequilibra o ambiente dos jogadores é papo furadíssimo. Mais ainda quando sai da boca do diretor Paulo André, que conviveu por anos com colegas que faturavam muito mais do que ele. O que contamina vestiários e concentrações são as injustiças.

Nikão toparia um novo salário, bem mais polpudo? O suficiente para dar ainda mais conforto à família que construiu e, quem sabe, ampliar a ajuda aos necessitados, como costumeiramente faz. Talvez sim, talvez não. De certo, que o Athletico faria a sua parte, na tentativa de segurar um de seus principais valores nos últimos anos e, como se viu contra os uruguaios, ainda hoje.

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