"Problemas complexos demandam soluções complexas". E você pode achar que acessou sem querer o Linkedin, se é que a frase é assim mesmo. Em todo o caso, vamos adiante, para a minha tese, compartilhada com pessoas que respeito, como Mauro Cezar Pereira e Irlan Simões.

O que interessa é que o Grêmio não deveria perder nenhum mando de campo por causa da invasão de sua torcida ao campo, após o revés, por 3 a 1, contra o Palmeiras. Por mais bárbara e, ainda, até mesmo patética, que tenha sido a investida dos chamados "vândalos travestidos de torcedores".

O clube não tomou todas as medidas necessárias para garantir a segurança do jogo? Tomou. Não está colaborando para que os valentões sejam identificados? Está. Pronto, deveria ser o suficiente para ser eximido de qualquer responsabilidade.

Mas, claro, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), normalmente coalhado de "torcedores travestidos de juízes/procuradores", tentará tomar as medidas mais simples e, normalmente, preguiçosas. Pune-se o todo, o clube, a comunidade gremista em geral, por causa de um grupo específico.

E parece que está resolvido o problema. Mas não está, evidentemente. Não está porque a "solução", em tese, é frouxa, ineficiente. Não se extinguirão as invasões, ou brigas de torcidas, a partir da perda de mandos de campo dos clubes, envolvidos indiretamente.

Mas o ponto não é nem exatamente esse. O problema é, simplesmente, ser uma ação injusta da justiça. Sacou a contradição? Como já virou clichê, é preciso punir os CPFs, ou seja, os torcedores, facilmente identificados em estádios que parecem cenário do filme Minority Report. E não os clubes, os CNPJs.

É também o caso de entendermos que os estádios não são territórios apartados da sociedade, habitados por seres "puros, lindos e perfeitos". Como em qualquer lugar, há a possibilidade de conflitos e, também, invasões de campo. Cabe ao clube fazer o possível para coibir e controlar.

Há mais de década, o STJD passou a punir clubes com perda de mandos de campo, pasmem, por causa de copos plásticos atirados ao gramado. Criou-se um ambiente de paranoia nas arquibancadas, que logo desembocou em "entregação" equivocadas e agressões entre torcedores do mesmo time.

Felizmente, não demorou para se perceber que a punição era absolutamente desproporcional e que os perigosos arremessadores de copos é que deveriam ser enquadrados. Rapidamente, deu-se um passo adiante na regulação do comportamento das torcidas.

É o que é preciso ser feito agora. Que os gremistas que invadiram o terreno de jogo sejam identificados, encarem a Justiça e, se for o caso, jamais voltem a pisar num estádio de futebol. É a justiça que o futebol brasileiro e a torcida do Grêmio esperam e necessitam.

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