Edina Alves está na história da arbitragem. A paranaense de Goioerê, 40 anos, é a primeira mulher a ser escalada pela Fifa para apitar um mundial profissional masculino. Em fevereiro, no Catar, atuará na disputa de clubes, no trio com as auxiliares Neuza Back, também brasileira, e Mariana de Almeida, argentina.

É o coroamento de uma carreira que começou há 20 anos, no futebol do Paraná. Edina iniciou como auxiliar e, em 2014, enfrentou o desafio de mudar de posição no gramado, foi ser árbitra central.

Precisou voltar para as divisões inferiores e avançou até alcançar o escudo da Fifa, em 2016, principal estágio internacional. Mesmo assim, nunca teve a chance de dirigir um duelo na elite do futebol paranaense.

Zero. Nenhuma partida. Mesmo numa competição de nível técnico sofrível e, não raro, arbitragens ruins. O motivo?

Em 2018, Afonso Vítor de Oliveira, presidente da comissão da arbitragem da Federação Paranaense de Futebol (FPF), rechaçou que a ausência de Edina das escalas, com escudo da Fifa e tudo, fosse por ela ser mulher.

Segundo Oliveira, era preciso esperar a "hora certa", que Edina estivesse, enfim, "no ponto". Eis que a árbitra passou do ponto e entendeu que era a hora certa de apitar no futebol paulista. Arrumou as malas e se filiou à federação vizinha.

Desde então, apitou na elite de São Paulo, dirigiu jogos da Série B do Brasileirão e ainda foi selecionada para mediar um duelo do Nacional da Série A, depois de quase 15 anos sem mulheres no apito na divisão. Não bastasse, atuou na Copa do Mundo Feminina, na França.

Agora, estará na competição que define "o melhor time do mundo", ao menos de acordo com a Fifa. Aparentemente, Edina possui algum valor como árbitra. Só o futebol paranaense que não viu.

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