Após 25 anos, Paul McCartney fará outro show em Curitiba. Em 1993, o beatle se apresentou na Pedreira Paulo Leminski. Ano que vem, dia 30 de março, um dos concertos da nova turnê do baixista pelo Brasil ocorrerá no Couto Pereira, estádio do Coritiba.

Não é pouca coisa. É muita coisa. Paul é das maiores figuras do século 20. Liderou, ao lado de John Lennon, o mais importante grupo pop de toda a história do planeta Terra, mesmo que os fãs dos Menudos discordem de tal afirmação.

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Assistir Paul McCartney, já com 76 anos, mas vitalidade de 26, é dos momentos para se guardar para a vida toda. Quem estiver lá jamais esquecerá. Das músicas, das companhias e, obviamente, do local do show, a casa do Coxa. E digo isso tudo mesmo gostando mais dos Stones.

Nada, entretanto, parece influenciar o Atlético. Mais um show de grande porte passa pela capital do Paraná e a Arena da Baixada não é utilizada. É como se fosse um caixa de bombons linda, recheada de chocolates deliciosos, mas que não pode ser aberta.

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Em parceria com a prefeitura de Curitiba e o governo do Paraná, e ainda com dívidas abertas, o Furacão construiu a melhor estrutura para qualquer tipo de evento de grande porte em Curitiba. E, sozinho, foi além. Pôs grama sintética e teto retrátil. E ainda é central.

Mas, além do UFC em 2016, o Rubro-Negro empreendeu apenas dois shows, ambos minguados, desde a reinauguração: Andrea Bocelli e Rod Stewart. Teve ainda as finais da Liga Mundial em 2017. E foi só em mais de quatro anos após a reinauguração — casamento coletivo não conta.

Os números do clube escancaram como o espaço é subaproveitado. Em 2017, de acordo com o balanço atleticano, a Arena rendeu somente R$ 500 mil em eventos, contra R$ 3,9 milhões na temporada anterior. E para 2018 a praça esportiva não obteve nenhum concerto expressivo.

Enquanto isso, apenas recentemente, o rival Coritiba já recebeu os shows de Maroon 5, Roger Waters e, em breve, terá Paul McCartney. Dinheiro em caixa e prestígio como parceiro para shows na capital, que possui ainda a Pedreira como concorrente.

O Furacão dá de ombros. De acordo com dirigentes do clube, o Coxa recebe “esmolas” para abrir suas portas para estrelas internacionais. O aluguel do estádio para o ex-Pink Floyd e o ex-Beatles gira em torno dos R$ 500 mil por apresentação, números que o Alviverde não confirma.

O modelo de gestão criado pelo Atlético é outro. Mario Celso Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo, repete que não aluga simplesmente o espaço. Quer ser co-produtor. Faturar também com ingressos, alimentação, montagem da estrutura etc. E se não consegue o tudo, o clube prefere o nada.

É um direito do Furacão, evidentemente. Agora, não precisa ser nenhum expert do setor para sugerir que há algo que precisa ser ajustado na estratégia. Pois, até então, o Atlético tem a melhor arena multiuso da cidade, mas quem fatura com shows é o Coritiba.

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