Que a Premier League é um modelo de competição e soccer business, disputa que concentra boa parte dos principais jogadores do planeta, até mesmo um fã de analistas táticos ou de vídeos reacts do Casimiro não tem dúvidas. Campeonato Inglês melhor do mundo, magnífico, tem que respeitar, graças a Deus, receba!

Ao mesmo tempo, a liga é tão chata nas arquibancadas que nem o mais fleumático torcedor local suporta mais. Há diversos movimentos pelo país para o retorno dos lugares em pé nos estádios, ações para esquentar as torcidas etc. Questão de honra, afinal, não há duelo internacional em que os ingleses não tomem um vareio no grito dos visitantes.

Eis que, finalmente, algo emocionante ocorreu. Os últimos dias da temporada de futebol no país foram marcados por uma espécie de Primavera Árabe na esperança do safe standing. Do principal evento da rodada, o jogo que valeu o título ao Manchester City, passando por duelos de divisões inferiores, invasões de campo em série foram registradas.

Eu ainda peguei o tempo no Brasil das invasões de campo para comemorar taças. Era ótimo, tenho saudade. Num caos perfeito, o gramado, os troféus, as redes dos gols, as camisas, as meias, as chuteiras, os calções e, às vezes, até as cuecas dos jogadores, tudo disponível para quem, de fato, merece ficar com todos os diplomas: os torcedores.

EFE
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Mas, quem pulou o alambrado, pulou. Já há alguns anos, instaurou-se um patético e previsível teatro para o recebimento de taças, com a presença, evidentemente, de cartolas e patrocinadores. Algo tão constrangedor que não se sabe mais se é o videogame que imita a celebração ou se a vida real que se apropria do misen en scéne virtual.

Sempre que apareço para, na falta de uma melhor expressão, defender antigas tradições, conversar sobre torcidas organizadas, tratar da elitização dos estádios, encaro contrapontos de notável sofisticação. "Ah, então você é a favor de que as pessoas morram pisoteadas". Ou "ah, então você é a favor de dar facada em criança".

Bem, veja, não é exatamente isso. E, em todo o caso, essa é uma guerra perdida. Desde o desembarque da Copa 2014 no Brasil, o país passa por um vigoroso processo de "frapuccinização" das praças esportivas, hoje governadas pela paranoia. Ir ao campo tornou-se, simplesmente, um saco. Tudo bem, deixa pra lá.

Enquanto isso, viva as invasões inglesas!

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