Há exatos 30 anos, num mesmo 5 de agosto, era jogado o último Atletiba romântico. No Couto Pereira, Coritiba e Athletico duelavam pelo caneco do Paranaense. E ao apito final, o mundo do clássico nunca mais foi igual.

Aquele jogo, num domingo à tarde, empate por 2 a 2 que garantiu ao Furacão o título, representa a fronteira entre um futebol do passado e o futebol de um futuro que chegaria com mudanças em ritmo frenético.

Saem as camisas de algodão da Campeã e os patrocínios de ocasião, chegam os uniformes sintéticos. A torcida do Athletico deixa a curva da Perpétuo Socorro. A Mancha Verde desaparece. Despontam os comandos das organizadas e o pau começa a torar nos terminais.

Surgem outras bolas que não a Topper branca com detalhes em preto. Os craques fogem para o exterior. Os regionais enfraquecem. Capitão Hidalgo e Sicupira são reconhecidos mais como comentaristas e o Paraná Clube domina.

A grana da TV começa a jorrar, o soccer vira business e a cartolagem passa a se locupletar, ainda mais, mas de forma igualmente "profissional". Os shoppings engolem Curitiba e o silêncio do domingo, só quebrado pelo Atletiba ou por um macaco hostil no Passeio Público, já era.

Três décadas se passaram e coxas-brancas e atleticanos se encontram outra vez, é o destino fatal. Também no Couto, também pela decisão estadual. O clássico, desta vez, parece disputado em meio ao fim do mundo.

Jogadores mascarados. Comemorações proibidas. Bolas enxaguadas em álcool em gel. Exames prévios e desfalques provocados pela Covid-19. O vírus está em toda parte. O estádio vazio e, você sabe, "não há nada menos vazio do que um estádio vazio".

O mundo não acabou. E Beirute, tragada por um cogumelo de fumaça e fogo na tela do celular, ainda existe. E mesmo que apenas na tela do celular, via streaming, gerando buzz e faniquitos nas redes sociais, é dia de Atletiba.

Participe da conversa!
0