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André Pugliesi

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Análise

Antes de reclamar da torcida, Athletico precisa entender por que seus sócios não vão aos jogos

Antes de reclamar da torcida, Athletico precisa entender por que seus sócios não vão aos jogos
| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo
  • PorAndré Pugliesi
  • 13/10/2019 21:32

Após o revés diante do Flamengo, 2 a 0, Tiago Nunes reclamou que a Arena da Baixada não estava lotada. "Uma pena", lamentou o treinador do Athletico, decepcionado com a parca audiência. O público ficou na casa dos 25 mil.

Eu tenho um palpite, em números, para a baixa adesão: R$ 150. O Furacão oferece o ingresso mais caro do Brasil, preço único. Disparado. Sem comparação com qualquer outro.

Valor ainda mais abusivo diante da crise econômica que o país atravessa. Não sou especialista em macroeconomia, nem em finanças pessoais, mas parece evidente que é cifra pouco convidativa para a maioria.

Mas há uma situação ainda mais grave do que o preço extorsivo imposto na bilheteria atleticana. E que, se abraçada com carinho, e entendida, pode dar em resultados melhores do que reclamações ao microfone.

Por algum motivo, boa parte dos sócios do Athletico não frequenta a Arena, mesmo com o time em excelente fase. Não se sabe o motivo: se são torcedores que não gostam de futebol tanto assim ou se tem algo melhor para fazer nos horários em que o Furacão vai a campo. Ou, ainda, se é gente ultra atarefada.

O fato é que, jogo após jogo, metade dos fieis rubro-negros, ao menos nos boletos, deixa de ir ao estádio. O clube tem aproximadamente 26 mil sócios e a média de público, geral, fica na casa dos 13 mil por partida no Brasileirão. Claro, não são sempre os mesmos faltosos.

Confesso, não sei qual é a realidade dos demais clubes, embora seja difícil comparar, pois há todo o tipo de modalidade de associação por aí. Mas a ausência rotineira de metade do quadro parece expressiva.

Basta pensar que, se 80% daqueles que pagam todo o mês para ter direito de ir ao estádio, fossem normalmente à Baixada, o clube teria média de público acima de 20 mil pessoas. Marca bastante razoável, entre as oito melhores das disputa nacional.

Em outras palavras, o problema de público do Athletico não está lá fora, naquele que não têm condições de pagar o ingresso ou comprometer-se ao menos seis meses com o valor da associação. Começa dentro do clube, entre seus torcedores que pagam mensalmente.

Por que não vão? Por que só vão de vez em quando? É o "mistério" que o Furacão precisa decifrar. O clube, certamente, tem dados de comportamento de seus associados que podem ajudar na busca por uma solução.

Enquanto isso não acontece, só restam palpites, que podem ser totalmente furados. É culpa da biometria, que não permite o empréstimo do cartão quando o sócio não pode comparecer? Pode ser uma explicação, em parte.

Ou é um comportamento típico daquele torcedor que o próprio Athletico sempre alimentou, do "apreciador", que não tem o futebol como prioridade, programa inadiável? O cara paga e, se der para ir, beleza. Se não der, ok.

São as duas coisas e várias outras? É bem provável.

Em todo o caso, está posto o desafio para o clube. E não há melhor momento para enfrentá-lo. Com o Furacão estável, o time colecionando taças e um calendário para 2020 já recheado de partidas importantes.

É buscar uma solução. Ou ficar reclamando.

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