O Athletico está, mais uma vez, na vanguarda do soccer business. Depois da iniciativa de aumentar a associação a R$ 250 para expulsar torcedores do setor Buenos Aires inferior, o clube agora implementa o sistema “sócio-refém” para a disputa da Libertadores.

Na última sexta-feira, o Furacão anunciou que os ingressos para a competição custam R$ 200, o dobro do que o clube vinha praticando. É parte de uma estratégia antiga do Rubro-Negro, de aumentar o preço dos bilhetes para forçar que o torcedor se associe.

Fugir da facada da bilheteria, entretanto, não é tão simples. Novas associações são feitas somente com seis meses de fidelização. Ou seja, para assistir a equipe na Libertadores, um adulto terá de garantir, ao menos, R$ 540, o equivalente a seis mensalidades no plano mais barato, de R$ 90.

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Não é a primeira vez que a diretoria atleticana usa o expediente de “sequestrar” o seu torcedor. Já aconteceu várias vezes, o suficiente para deixar claro que a tentativa de inflar o quadro associativo “aos soluços” simplesmente não funciona.

O mesmo torcedor que corre para acompanhar a Libertadores, pula fora na primeira oportunidade, quando o time é desclassificado da competição continental, por exemplo. A ideia de piorar muito um produto (o ingresso avulso), para tentar vender outro (a associação) é primitiva.

E o que espanta é que o Furacão tem esse diagnóstico, mas insiste. Em entrevista em novembro de 2017, Mario Celso Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo, revelou que mais de 100 mil CPFs e CNPJs diferentes já passaram pelos planos de sócios.

Ora, é preciso entender o porquê de o clube não conseguir “segurar” o associado para, enfim, romper e manter sustentável um quadro de mais de 30 mil fieis rubro-negros. O que nunca ocorreu desde que o Athletico instituiu os planos Sócio Furacão.

Afinal, se há planos para diversos bolsos, de R$ 90 a R$ 350, por que o sistema não emplaca?

Alguns palpites:

A) os planos ainda não são variados o suficiente. Não contemplam torcedores de fora de Curitiba, não têm opções para quem gostaria apenas de ir ao estádio eventualmente etc.

B) a comunicação e o marketing do clube não convencem ninguém.

C) o torcedor não se sente atraído pelo “clima gelado” nas arquibancadas da Arena.

D) a alimentação no estádio é ruim.

E) o torcedor não se sente seguro para ir ao estádio, com medo da violência das torcidas.

F) a equipe não consegue manter campanhas consistentes.

Pode ser tudo isso. Pode ser um pouco de cada. Pode ser nada disso. Mas são questionamentos válidos. Que o Furacão precisa se aprofundar. Está claro que o que fez até agora não está funcionando. É preciso tentar algo novo, testar outra saída. Ou correr o risco, alto, de ficar na mesma.

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Ao mesmo tempo, o clube comete, também de forma reiterada, outro erro grave. Simplesmente, vira as costas para o torcedor eventual, que gostaria de ir a um jogo qualquer, mas não quer ou, principalmente, não pode, pagar qualquer valor todos os meses.

Há esse público, para quem gastar R$ 100 numa partida de Libertadores pode ser possível. Mas não empenhar R$ 90 ao longo de seis meses. Há dezenas de clubes pelo país que tratam com mais competência essa questão.

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