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Torcedor do Flamengo, saiba como se comportar como “torcida humana” com o Athletico

Torcedor do Flamengo, saiba como se comportar como “torcida humana” com o Athletico
| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo
  • PorAndré Pugliesi
  • 09/07/2019 12:23

Atenção, torcedor do Flamengo! Nesta quarta (10) você tem compromisso em Curitiba, jogo com o Athletico, às 21h30, na Arena da Baixada. Mas, alto lá, não é um duelo comum. Portanto, leia as recomendações abaixo e, se puder, imprima para levar ao estádio:

1ª) Você é “bem-vindo” à Arena. O acesso ao jogo está liberado. Você pode ficar totalmente à vontade para gastar R$ 150 para comparecer ao compromisso. Entretanto, a liberdade acaba aí, certo?

2ª) A Arena adotou um esquema único, inédito no futebol mundial. Nem em Copa do Mundo é assim. É o sistema “torcida única” que, na verdade, é mais um “torcida visitante infiltrada” e que, por fim, ficou conhecida como "torcida humana". Em resumo: os visitantes não têm um setor específico, não podem ir de camisa, nem se manifestar.

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3ª) Portanto, se você mora em Curitiba, aquela tua camisa rubro-negra, que sai de vez em quando do armário, vai ter que ficar guardada. No Joaquim Américo, só camisas do Atlético!

4ª) Não pode ir de camisa e, no estádio, você terá de se misturar aos atleticanos. Não há um setor específico para os visitantes, como em todas as arenas do planeta. Aquela oportunidade de se unir aos seus, de ficar ao lado dos “irmãos” de time, fica para uma próxima.

5ª) Prosseguindo, o clássico grito de “meeeeeeeeeengo”, ouvido no Brasil inteiro em jogos do clube, também terá de ficar sufocado no fundo da alma. Não pode. Só a torcida do Athletico pode torcer. Os visitantes ficam calados, combinado?

Aliás, nem é recomendável por motivos de, digamos, saúde. Afinal, com os flamenguistas separados, vai que algum atleticano se sente desagradado com manifestações contrárias? Melhor evitar.

6ª) Em resumo, esqueça tudo em matéria de torcida de futebol. Esqueça que você é flamenguista. Esqueça a emoção do jogo. Esqueça o desejo de representação, a chance de apoiar o time do coração. Comporte-se como se estivesse no teatro, combinado?

Todas as recomendações acima são um oferecimento do Ministério Público do Paraná (MP-PR), do promotor Maximiliano Deliberador, em parceria com o Athletico, do presidente do Conselho Deliberativo, Mario Celso Petraglia, mais as forças de segurança do estado. É uma invenção deles que, não canso de repetir, não há paralelo no mundo do futebol, exceto nos clássicos paulistas (por outro motivos, claro).

Plano que os torcedores do Furacão, é bom dizer, rejeitam. E, claro, os torcedores dos demais clubes, impedidos de assistir livremente aos seus times na Arena, também. Esquema baseado em argumentos frágeis (diminuição do efetivo da Polícia Militar?) e que conspurca a natureza do futebol.

Provavelmente, surgiu da cabeça de alguém deslumbrado com um duelo da NBA, quem sabe na casa do Orlando Magic, na terra da Disney, entre alguns hotdogs, donuts e copos de refrigerante. Um ambiente que não tem nenhuma relação com o futebol.

Abraçar a causa de frear a violência é só um pretexto, facilmente derrubado com qualquer estudo sério sobre os problemas nas arquibancadas. Ora, qualquer um que já tenha pisado em um estádio sabe que os conflitos ocorrem, normalmente, distantes dos estádios.

Assim, não se alcançam as causas, não se constrói um plano efetivo num país que, de uma forma geral, convive com a chaga da violência, em todos os seus setores. É só uma manobra absolutamente antidemocrática, egoísta e impotente.

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