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Análise

Athletico, Corinthians e Nunes parecem crer que torcedores são todos panacas

Athletico, Corinthians e Nunes parecem crer que torcedores são todos panacas
| Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná
  • PorAndré Pugliesi
  • 06/11/2019 12:38

Entre a saída do Athletico e a iminente ida de Tiago Nunes ao Corinthians, uma coisa ficou evidente. Dirigentes e profissionais do futebol ainda parecem acreditar que os torcedores são todos uns panacas.

A coletiva de despedida do treinador, nesta terça-feira (6), apenas reforçou a impressão já transmitida pelo Furacão e o Timão no dia anterior. De que o esporte é um ambiente maravilhoso, de respeito absoluto, em que a ética predomina em todas as relações. Será?

No encontro com os jornalistas, Nunes tentou emplacar que não tem absolutamente nada com o clube paulista. De que somente após a coletiva, marco final e público da passagem pelo Furacão, começará a ouvir propostas.

Em outras palavras, o gaúcho -- na minha opinião um excelente treinador -- pretende que nós, jornalistas e torcedores, acreditemos que ele deixou o clube, onde recebe mais de R$ 200 mil mensais, a dois dias de um jogo no Brasileirão, para se atirar num mar revolto de incertezas. Sem ter, absolutamente nada, encaminhado.

E foi além. Disse, ainda, que membros da comissão técnica estão cometendo o mesmo harakiri profissional, perdendo o emprego no CT do Caju num lance "deixa a vida me levar, vida leva eu". Estranho, né? Ah, sim, claro, e há sempre a figura conveniente do agente que trava as negociações e nunca passa nada aos agenciados para que estes "não percam o foco". Então tá.

O Corinthians foi pelo mesmo caminho. Em entrevista, o diretor de futebol, Duílio Monteiro Alves, foi extremamente confuso, na tentativa, vã, de não parecer que o clube assediou Nunes. Disse que o nome interessava, mas que não tinha nada, mas que poderia ter, que o técnico estava empregado até há pouco, mas que quando não estivesse... como é que é?

O Rubro-Negro, por sua vez, tentou se passar como "surpreso", o "último a saber", em nota oficial publicada em seu site. Escreveu: "Nossa decepção maior foi da maneira que fomos tratados pelo Sport Club Corinthians Paulista. Sempre tivemos muito bom diálogo com sua presidência. Entretanto, neste caso, o Athletico não recebeu nenhum telefonema ou posição das intenções daquele clube. O que prevaleceu foi a força imbatível dos números".

Ora, o Athletico é um clube que teve mais de 70 treinadores (entre efetivos e interinos), nos 22 anos de gestão de Mario Celso Petraglia, algo como três técnicos por temporada. Nessa caminhada, demitiu quando quis e sondou profissionais empregados, como na contratação de Fernando Diniz, que estava no Guarani antes de desembarcar na Baixada e, neste caso, havia uma previsão de liberação. Como fazem todos os clubes, sem exceção.

Então dane-se a ética e é cada um por si? Claro que não. Tomara que, em breve, técnicos e clubes tratem tudo sempre com a maior transparência, como deveria ocorrer em qualquer relação profissional. Mas, enquanto isso, que pelo menos os envolvidos não tirem os torcedores para panacas.

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