Opinião

Conselho do Athletico ressuscita, vota contra torcida do clube, e morre de novo

Escrevi, há poucos anos, que parecem décadas, que o Conselho Deliberativo do Athletico enterrou a própria instituição ao ser inapelavelmente excluído do processo de refundação do clube, ou “rebranding”, caso prefira. Para lembrar: às vésperas da decisão da Sul-Americana, em 2018, o presidente do Rubro-Negro, Mario Celso Petraglia, decidiu alterar nome, escudo e camisa do Furacão.

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Eis que, criado e estabelecido para decidir, determinar, definir, resolver, opinar e, veja só, deliberar sobre os destinos do Rubro-Negro, como guardião dos desejos da torcida, o Conselho contentou-se em assumir figura tão irrelevante quanto a de um copo plástico atirado ao gramado da Baixada. Na ocasião fundamental, valeu a posição de um só e, como se viu depois, de gosto um tanto duvidoso.

Foi com surpresa, então, que soube que o órgão ainda está ativo, com o perdão da construção, ao ser convocado para tratar do retorno do público ao Joaquim Américo, após a liberação da Prefeitura de Curitiba. Para não parecer arbitrário, Petraglia chamou o Conselho para fazer exatamente o que ele gostaria que fosse feito. E assim se fez: 66 conselheiros votaram contra a volta da torcida do clube à sua casa, enquanto 44 foram a favor.

Movimento sincronizado espetacular que é impulsionado por muito mais do que o fato de, por estatuto, o Conselho Deliberativo do Furacão ser formado, a cada ciclo eleitoral, por integrantes apenas da chapa vencedora, sem nenhuma cadeira para a oposição. Como de costume, foi mais um resultado de combinação invulgar de falta de opinião própria, baixa autoestima e enorme disposição para participar de grupos “exclusivos” de WhatsApp e rodas de cafézinho e caldo de cana.

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Já nem mais se discute o autoritarismo da posição do clube, isolada entre as 40 equipes de Série A e B do Nacional e, talvez, em todo o planeta. A Secretaria de Saúde autoriza a presença de 5 mil pessoas, sob os protocolos devidos, e as organizadoras das competições permitem. É igualmente inequívoca a mesquinharia, ao relacionar a proibição com os custos de abertura da praça esportiva e, também, desprezar o aporte multimilionário dos sócios aos longo de 18 meses de afastamento forçado da cancha.

A novidade foi o ressurgimento, algo brusco, do Conselho Deliberativo do Athletico, dado como morto desde 2018, numa noite chuvosa de segunda-feira, dia 4 de outubro. E para quem acreditava que o órgão estava moralmente extinto: acertou.

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