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André Pugliesi
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Há 100 anos, há 13, pelo tempo que for no Esporte e na Gazeta

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André Pugliesi
31/01/2019 20:44 - Atualizado: 29/09/2023 23:37
Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Lembro vivamente quando, em novembro de 2005, escalei as escadas da Gazeta do Povo, na Carlos Gomes, atravessei a porta de vidro e invadi a redação, no primeiro andar, para o espanto de absolutamente ninguém.

Fui recepcionado pelo Leonardo, então editor de Esportes, agora diretor de redação, que me apresentou ao Nelson Souza Filho, então diretor de redação, agora aposentado. Sentamos os três numa mesa redonda que ficava logo à entrada.

Arrematadas as apresentações, recordo que o Nelson comentou que tinha boas referências a meu respeito, o que achei curioso. Não faço ideia se cumpri qualquer expectativa, o fato é que, 15 anos depois, ainda estou aqui (não na Carlos Gomes, pois mudou).

Ou seja, dos 100 anos completados por esta Gazeta do Povo, participei de aproximadamente 13. É uma parcela quase insignificante. Fica ali na faixa dos 10%, porção ínfima diante de uma história agora secular.

Afinal, chegar aos 100 anos é marca notável. Praticamente inatingível para nós, seres humanos. Feito raríssimo mesmo para quem é de papel e tinta. E eu só espero que as redes sociais não alcancem nada parecido.

Mas esta é uma visão, existem outras. Ajustando a escala, dos 16 anos como jornalista, integralmente dedicados ao esporte, segmento em que o público tem certeza que sabe mais do que qualquer profissional, vivi 13 na Gazeta do Povo.

Aí sim, uma fração expressiva: 81,2% de tudo o que fiz. Dos 26 anos, quando publiquei a primeira matéria, de um Coritiba e Internacional, aos 40. Fazer jornalismo e trabalhar na Gazeta são a mesma coisa pra mim.

De toda a trajetória, alguns momentos foram especiais, claro. Como a cobertura do primeiro duelo do ex-Atlético (hoje Athletico) contra o River Plate (ainda River Plate), em setembro de 2006, pela Copa Sul-Americana.

Por acaso, alguém teve a ideia de um repórter embarcar na excursão da torcida organizada do Furacão, de Curitiba até Buenos Aires, via terrestre. Querendo mostrar serviço, pato novo, abracei a empreitada.

Só fui me dar conta do tamanho da missão ao sentar no ônibus, à meia-noite de segunda-feira, instante em que fiquei também imaginando os meus colegas de editoria de pijama dormindo em casa. Chegamos ao destino na quarta-feira, 38 horas de chão depois, felizmente, sem nenhuma ocorrência grave.

Fui ainda a Recife (não de ônibus), Belo Horizonte, Salvador e outras cidades brasileiras. Peregrinei também pelo interior do Paraná e nunca suei tanto na vida quanto na cabine do Caranguejão, às margens do rio Itiberê, num Rio Branco e Vila Nova-GO, à noite, em 2007.

Conheci ainda o País de Gales, a Inglaterra, Argentina e, há alguns meses, eu, Adriano Ribeiro e Jonathan Campos nos perguntávamos se, um dia, vamos retornar para Kazan, na Rússia, onde cobrimos a desclassificação do Brasil na Copa 2018. Não creio.

Dei a minha contribuição, ainda que tímida, para uma tradição que é orgulho da editoria e, lógico, da Gazeta. Desde 1992, fomos a todas Copas do Mundo e Olimpíadas, liderados pelo Édson Militão, o jornalista paranaense que viu Pelé, Ali e Jordan.

E se partir pelo mundo sempre foi, e é, uma experiência incrível, voltar para a redação também causa satisfação (ok, não depois das férias). Do nosso jeito, com as condições possíveis, trouxemos a editoria de Esportes até aqui.

Dezenas de repórteres, editores, colunistas, diagramadores, enfim, contribuíram para tanto e foi uma alegria ter desfrutado, por um breve período, da companhia do Seu Aloar Ribeiro, falecido no início do ano passado e nome fundamental. E ainda ser colega do Carneiro Neto é um privilégio.

É em nome de todos que agradeço a você, leitor, pela companhia. Nossa história não para, recomeça a cada dia, desde 1919. Eu, Rodrigo, Adriano, Robson, Fernando, Julio, Daniel e Moreno seguimos adiante e contamos com a audiência. Pelo tempo que for.

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