Vamos combinar que o VAR acabou com o futebol. Pelo menos com o futebol como nós o conhecíamos. Assistir a um jogo ficou incrivelmente mais chato e menos emocionante.

Agora não é mais recomendável celebrar um gol, porque ele pode ser tirado de você momentos depois, quando o VAR decidir que, dois minutos antes de a bola entrar, um jogador havia resvalado em outro, e que o lance TODO deveria ser anulado.

O VAR mudou também a dinâmica dentro do campo. Se o futebol sempre foi um esporte de contato, agora é um esporte em que jogadores evitam o contato, sob o risco de punição.

É absurda a quantidade de pênaltis ridículos que passaram a ser marcados por causa do VAR. Lances que, anos atrás, seriam considerados normais, hoje, analisados em câmera lenta e com microscópio, se transformam em penalidades máximas.

O VAR tornou juízes e bandeirinhas mais covardes e sem confiança, incapazes de confiar em seus próprios julgamentos. E o curioso é que, nos momentos em que o VAR poderia, de fato, ajudar na elucidação de um lance que passou despercebido, essa covardia se amplifica, e os operadores do VAR muitas vezes preferem simplesmente ignorar lances mais “difíceis”.

Sei que a quantidade de barbaridades perpetradas pelo VAR é imensa e recorrente, e que ninguém mais tem paciência para ver imagens de erros de juízes e bandeirinhas, mas peço licença para mostrar dois lances ocorridos no mesmo jogo. E, para afastar qualquer suspeita de “mimimi” ou “chororô”, antecipo que, no jogo em questão, meu time, o Fluminense, foi favorecido com um pênalti que, na minha opinião, não existiu.

Vejam o lance a 1:17 e me digam: um pênalti desses seria marcado na era pré-VAR?

Nunca. O jogador do Atlético-MG, Guilherme Arana, atinge, sim, a perna do jogador do Fluminense, Nino, mas o choque é casual e não é forte o suficiente para derrubar ninguém (muito menos para que Nino se jogue no chão como se fulminado por um raio). Não havia perigo de gol e o jogador do Flu não tinha domínio da bola. Em suma: foi um pênalti da era VAR.

Agora, vejam que curioso: no último lance da partida, o mesmo Nino sofreu um pênalti evidente. Veja o lance aqui:

O jogador do Galo, Sasha, abre os braços e claramente atinge a cara de Nino. Não foi de propósito, mas isso é pênalti. E o que fizeram os responsáveis pelo VAR? Nada. Simplesmente fingiram que o lance não ocorreu.

Ou seja: a equipe do VAR tem o poder de decidir quando o artifício deve ou não ser usado, e isso torna as decisões sujeitas a todo tipo de favorecimentos e covardias.

Mas para que ninguém diga que eu só reclamo e não proponho nada para remediar a situação, gostaria de sugerir algumas medidas que, acredito, tornariam o VAR mais útil e menos injusto. São elas:

- O VAR seria usado APENAS para marcar impedimentos e conferir se a bola entrou ou não no gol.

- O VAR não seria usado para lances interpretativos, como faltas, por exemplo. Essas deveriam ser marcadas na hora, no calor do jogo, e as decisões do árbitro seriam finais.

- O VAR não poderia anular, retroativamente, uma jogada que já foi concluída, a menos que o lance na origem da jogada fosse de impedimento. Um juiz não poderia usar o VAR para buscar, na origem da jogada, alguma falta ou infração.

Meu sentimento, assistindo aos jogos, é que o VAR funciona bem para decidir se um jogador estava impedido ou não, mas estraga o jogo quando a questão passa a envolver lances interpretativos.

Uma dividida de bola muda de “tom” quando vista em câmera lenta. Um jogador pode atingir acidentalmente o tornozelo do adversário sem que isso constitua uma falta desclassificante, mas quando o juiz vê e revê o lance várias vezes e em câmera lenta, a tendência é de que passe a avaliar a falta com mais severidade, ignorando o aspecto “acidental” ou “do jogo”. Por isso temos visto tantas expulsões injustas.

O que acham? Vale tentar? Vamos fazer uma experiência, antes que todos desistamos de ver futebol?

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