Não sou grande fã de Fórmula-1, mas adoro filmes – de ficção e documentários – sobre automobilismo. Na verdade, gosto de qualquer filme sobre carros em alta velocidade, mesmo que não tenham nada a ver com esporte, como “Corrida Sem Fim” (1971)" e “Corrida Contra o Destino” (1971). Poucas coisas são tão cinematográficas como corridas de carro.

Quando a Netflix anunciou o documentário “Schumacher”, me animei. Aqui temos uma história empolgante tanto do ponto de vista esportivo (um gênio do esporte, sete vezes campeão mundial de Fórmula-1 e detentor de vários recordes), quanto no aspecto humano (Schumacher sofreu um grave acidente de esqui em 2013 e seu estado de saúde é mantido em segredo pela família).

Com o lançamento do filme, a esposa de Schumacher, Corina, deu uma raríssima entrevista: “Todo mundo sente falta de Michael, mas Michael está aqui. Diferente, mas ele está aqui, e isso nos dá força, eu acho". Corina disse que Schumacher continua recebendo tratamentos para as lesões do acidente. “Moramos juntos em casa, fazemos terapia, fazemos tudo o que podemos para deixar Michael melhor e para que ele se sinta confortável e simplesmente para fazê-lo sentir nossa família, nosso vínculo. E não importa o que aconteça, farei tudo o que puder. Todos nós iremos."

O documentário foi produzido com o consentimento da família e evita tocar em algumas questões mais polêmicas, como suspensões por atitudes antidesportivas e irregularidades no carro. O tom, como não poderia deixar de ser numa obra vigiada de perto pelos familiares, é laudatório e um tanto “chapa branca”.

Mas as cenas de arquivo são realmente impressionantes, especialmente as imagens de Michael, aos seis ou sete anos, participando de suas primeiras corridas de kart. Outras cenas de destaque são filmes caseiros de celebrações em família que mostram o piloto, um homem que sempre prezou a intimidade familiar, se soltando num karaokê e jogando amigos e parentes na piscina. São momentos pessoais e bonitos que se destacam, pela espontaneidade, em meio a um mar de depoimentos repletos de clichês e platitudes – “Michael era perfeccionista e não admitia erros”; “Ele é capricorniano, e capricornianos não se desculpam”, etc.

No fim, o resultado é um filme interessante, mas que poderia ter sido muito mais comovente se ficasse na mão de um cineasta sem vínculos com a família e que soubesse contar essa história de triunfos e tragédia de uma maneira respeitosa, mas reveladora. Quem viu “Senna”, de Asif Kapadia, sabe do que estou falando.

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